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Vida de poeta

Atualizado: 17 de Jun de 2019

As tecituras dos escritores amapaenses e seus jeitos de levar obras para o público


Por Gabriela Vasconcelos


A poesia é uma imponente expressão dentro da literatura e é livre para que seus adeptos possam imprimir todas as emoções latentes em sua alma. A poesia é, para quem a escreve e aprecia, uma forma de tornar o mundo um lugar bem mais leve e agradável. No cenário de poetas tucujus, há alguns nomes conhecidos no meio literário, com seus vários gêneros dentro da literatura e as diferentes maneiras de se apresentar suas obras ao público. Com a evolução da era digital, o livro deixou de ser o único meio para expor trabalhos.

Nesta reportagem, você vai conhecer a história de alguns poetas que registram Macapá em versos e lutam para manter suas obras vivas para o público.


Filho acolhido pela mãe Macapá


Thiago Soeiro, detentor do blog http://www.pordentrodopoema.blogspot.com, é natural do Pará e permaneceu em sua terra até os 18 anos, deu seus primeiros passos na literatura ainda por lá, com seus 14 anos, quando começou a escrever sobre o cotidiano. Em 2008 se mudou para Macapá, onde firmou a carreira poética.

Thiago Soeiro. Foto: Eudes Vinícius

Atualmente com 30 anos de idade, tem um currículo de brilhar os olhos. Em 2010 criou o projeto O sarau de Quintal, e junto com outros amigos participou de uma coletânea intitulada Poesia na Boca da Noite, em Macapá. Já em 2011, junto com o poeta Pedro Stkls, montou o grupo Poetas Azuis. O projeto é referência na cidade, principalmente para escritores anônimos. Durante 9 anos, o intuito tem sido propagar a poesia através da arte musical. Como diz Thiago: “O grupo poetas azuis tem por objetivo trabalhar a popularização da poesia por meio da música e da fala".

Durante esse período participou de diversos eventos importantes para sua carreira com o grupo Poetas azuis. Por dois anos consecutivos, 2013 e 2014, participou da Feira de livros do Amapá, a FLAP, com apresentações de recitais, exposições de poemas e mesa de debates. Em 2015, ano que parece ser o marco da trajetória do grupo, participou da exposição Poesia Agora, no Museu de língua portuguesa, que reuniu cerca de 500 escritores de todo o mundo.

Sobre pensar em publicar suas obras impressas, ele diz que uma das suas maiores dificuldades hoje é, sem dúvidas, a financeira: “Ainda não publiquei um livro... Por falta de dinheiro. Sei que é caro publicar”.

Uma edição simples de um livro custa na faixa de R$2.500,00 reais isso é um preço alto para um escritor que tem que bancar sua publicação de uma forma independente, sem nenhum apoio ou fomentação do mercado.

Thiago Soeiro do grupo Poetas Azuis. Foto: Eudes Vinícius

Quem trava uma luta por essa fomentação de mercado junto com outros escritores, e que é também exemplo para quem está começando sua carreira no estado, é Carla Nobre. Junto com outros escritores eles colocaram em pauta com o Conselho de Cultura alguns termos, entre eles de tornar formal a participação da literatura Amapaense parte da grade curricular do ensino escolar do estado. Para que aja essa valorização de mercado além de que as crianças venham a aprender, conhecer e apreciar um pouco dos escritores de sua própria terra.


Escritora filha das águas tucujus


Carla Nobre é poetisa amapaense, professora da rede estadual de ensino, graduada em Letras pela Universidade Federal do Amapá. Começou a “escrever desde sempre”, como ela diz. No entanto seu marco como escritora se deu ao lançar o primeiro livro, em 2007, o “Adeus o encelado de saturno” pela editora Scortecci /SP. Um livro de 48 páginas.

Nas ruinas da igreja velha em Mazagão velho. Foto: acervo pessoal.

Com 13 anos de carreira lançou mais dois livros: “O amor é Urgente” com apenas 100 exemplares - o livro foi lançado dia 7 de março de 2012 no Centro Cultural Franco Amapaense -, e seu último lançamento, o Livro “Exageros e delicadezas” lançado em 2013 pela editora Cromos /PA, livro pelo qual a escritora diz ter um imenso carinho. “Um livro que eu gosto muito porque trata do universo feminino, também tem alguns poemas falando da minha relação com a cidade de Macapá”, disse Carla.




Carla possui um blog (http://www.carlapoesia.recantodasletras.com.br) onde conta toda sua história como escritora, e é o meio de comunicação que utiliza para divulgar seus trabalhos, pela falta de tempo a poeta prefere utilizar apenas o site e seus livros ao invés das redes sociais.

Com o pôr do sol Alter do chão. Foto: acervo pessoal.

Carla Nobre além de ser referência para escritores, também tem referências na literatura da terra, como Fernando Canto, Mauro Guilherme e Manuel Bispo Correia. Apesar de ter três livros publicados e ter mais duas edições para serem lançadas, a poeta relata que a dificuldade financeira é um dos maiores desafios para um escritor, além, é claro, da falta de apoio governamental. O cenário local conta com muitos escritores anônimos e essas dificuldades e falta de apoio governamental acabam por atrapalhar a revelação desses novos talentos dentro da literatura amapaense.


Escritor anônimo


Leônidas Afonso, escritor que mora em Fazendinha, escrevia por escrever, no entanto, ano passado se interessou ainda mais pela poesia. Antes tinha o medo que todo poeta no anonimato tem: “será que vão gostar das minhas obras? Será que ela vai fazer diferença no mundo?”. Após participar de uma feira literária em Santana percebeu que suas obras levariam sentimentos as pessoas.


Segundo o poeta, a feira em Santana foi o marco da sua decisão de publicar a obra: “A exposição em Santana foi maravilhosa, pois foi a partir daquele momento que tive a certeza que minhas poesias poderiam fazer a diferença tanto na minha vida como na vida das pessoas que precisam de uma palavra de amor”. Sua referência literária é o escritor Bráulio Bessa.


Poetisa sem medo algum


Vindo na contramão do medo de publicar suas obras literárias, Mary Paes, tem uma temática diferente em seus textos. A escritora desenvolveu a escrita desde criança, no entanto, em 2010, descobriu sua temática poética literária, uma veia erótica com pitadas de humor. Seus textos falam sobre amor, paixão, desamores, solidão, sexo e liberdade.

Livro da escritora Mary Paes. Foto: Marksuel Martins.

Passou a publicar suas obras em 2010, em blogs, páginas no Facebook e Instagram, no mesmo ano começou a publicar seus textos em jornais, revistas e livros. Foi convidada a participar em duas coletâneas no Amapá e quatro coletâneas nacionais e internacionais.


A escritora produz contos, crônicas e roteiro para quadrinhos. Ano passado publicou seu primeiro livro solo “Das declarações de amor que nunca fiz” digital e impresso. Segundo ela, esse medo de publicar obras nunca sentiu: “Nunca tive medo de publicar meus escritos”. É uma escritora mista, que se utiliza das redes sociais e impresso para que seus trabalhos cheguem até seu público.


Nós temos um acervo literário local enorme. É de extrema importância conhecer nossas artistas, pois assim gera incentivo de consumo da produção local, trazendo mais visibilidade para quem produz. E para os anônimos, não tenham medo de julgamentos, a poesia transpassa qualquer barreira, então se aventure na produção e publicação de suas obras, seja virtualmente ou de maneira física.

Autógrafo no dia do lançamento do livro Foto: Marksuel Martins.

Dicas para a publicação de um livro


Quando pensamos em publicações de livros, não temos a mínima ideia de onde começar. Pra quem lê bastante livros, vê que na capa ou nas primeiras folhas aparecem todas as informações do livro inclusive a editora e seus contatos. E essas informações são muito importantes para a validação de um livro.


Se você também se aventura na literatura ou em outra área do conhecimento e tem muitos materiais produzidos, confira algumas dicas para a publicação de uma obra:

Faça uma pesquisa de mercado, procure editora e as siga no Instagram, Facebook e em sites oficiais;


Conheça o trabalho da editora de perto


Depois de todo esse reconhecimento, escolha o melhor plano e a forma de pagamento que mais é acessível para você, quando entrar em contato com a editora explique que é seu primeiro livro, a mesma lhe dará todo o suporte em questão de dúvidas;


Após enviar todo o material que deseja publicar, a editora lhe dará todo o encaminhamento de como deve ser realizada a correção ortográfica, e logo lhe enviará as bonecas (estrutura visual) do seu livro que deve ser assinada pelo autor se tiver tudo de acordo com seu gosto;


Verifique se a editora registrou o seu livro na Biblioteca Nacional, e se há o International Standard Book Number (ISBN), um número identificado por um sistema internacional de livros e softwares que classifica a obra por título, autor, editora, país e número da edição;


Lembre se de assinar se estiver tudo de acordo, pois depois de assinados os termos e contratos a editora não se responsabiliza por erros em sua publicação, então é importante ficar atento ao texto final e as bonecas. Se achar necessário, faça observações, encaminhe de volta e espere o retorno. Se estiver tudo certo, assine.


Depois de tudo definido, o livro será publicado de acordo com o plano que o escritor escolheu, definidos os números de exemplares que a obra vai ter, local de publicação e recepção.

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