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Tumucumaque, a área mais rica e preservada do Brasil

Atualizado: 6 de Jul de 2019

Com mais de três milhões de hectares, o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque é a maior floresta tropical do mundo e a mais preservada do Brasil.


Por Paolla Gualberto


Foto: Charly Sanches

As montanhas do Tumucumaque são uma área de proteção integral, ou seja, a visita para turismo ou para fins acadêmicos é permitida, mas é vedada a exploração de seus recursos naturais. O Estado do Amapá possui mais de dez milhões de hectares em áreas de preservação, sendo três delas pertencentes ao Parque Montanhas do Tumucumaque, que em 22 de agosto de 2002 foi decretada como ponto de preservação, protegido pelo artigo 225, parágrafo primeiro, inciso sétimo da Constituição Federal de 88. O poder público precisa “proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade”. O responsável pela gestão da unidade é o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).


Localidade


A unidade de conservação é localizada em nove municípios distribuídos pelos estados do Amapá e Pará, sendo eles Serra Do Navio, Amapá, Pedra Branca do Amapari, Ferreira Gomes, Pracuúba, Laranjal do Jari, Oiapoque, Calçoene e Almeirim. Com uma área total de 3.846,429,40 de hectares, a unidade de conservação brasileira Montanhas do Tumucumaque faz fronteira com dois países vizinhos, o Território Ultramarino Francês Guiana Francesa e a República do Suriname.


Foto: Charly Sanches

Para a visitação, é preciso pegar a BR-156 que sai de Macapá, e percorrer 108 quilômetros por estrada pavimentada até o município de Porto Grande. Depois percorre- se 104 quilômetros por estradas não pavimentadas até o município de Serra do Navio e depois há trilhas entre a vasta vegetação do parque.


Entrando no Tumucumaque


O parque é aberto à visitação para qualquer pessoa que peça autorização para a unidade responsável pelo parna. O Analista Ambiental do ICMBio, Ivan Vasconcelos, explica que há uma estrutura para a recepção de pessoas, chama-se Centro Rústico de Vivência (CRV), que fica na parte do rio Araguari, principal ponto de visitação. É uma base do próprio parque, em uma estrutura simples de madeira, com cozinha, atadores de rede e banheiro, o necessário para ficar e depois seguir caminho pelas trilhas e cachoeiras do imenso Tumucumaque. Há mais pontos de visitação, como a Vila Brasil, localizada às margens do rio Oiapoque, na fronteira cm a Guiana Francesa, uma comunidade comercial e que possui uma pousada para os visitantes.


Pesquisas e preservação


O parque nacional Montanhas do Tumucumaque é um grande alvo para os pesquisadores da fauna e flora. O cientista ambiental Charly Sanches, ex-funcionário do ICMBio e um grande visitante do Tumucumaque, realiza pesquisa acadêmica no entorno do parque e acompanha um projeto do ICMBio de monitoramento participativo da biodiversidade na área. De acordo com Charly, “O projeto de monitoramento participativo da biodiversidade é muito importante, pois ele busca compreender se a unidade está sendo efetiva na função de proteger a biodiversidade existente no parque”. O pesquisador ainda afirma que monitorar essas espécies fazem com que, através delas, o instituto possa avaliar se a qualidade do ambiente está boa.


Além de monitorar a área, o projeto também gera renda para a população local. “Os jovens que realizam as coletas de mamíferos de médio e grande porte, de aves cinegéticas e de borboletas, são todos jovens que residem nos entornos do parque, sendo assim uma forma de ingressar a população do entorno nos projetos, gerando renda para as mesmas, uma vez que eles são pagos para desenvolver a função”, explica Charly.


As pesquisas são muito importantes para o desenvolvimento e conservação do parna, a gestão responsável precisa estar ciente das prioridades de proteção, assim como analisar a área de forma geral, já que a qualidade de vida e até o fornecimento de água da população do estado do Amapá é decorrente também do bom estado de preservação da unidade, já que todos os grandes rios do Amapá nascem no Tumucumaque.


Transformações


O contato com a natureza é comum para os habitantes de Macapá. Segundo o senso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 66% das vias públicas são arborizadas, o que ajuda na temperatura do ambiente. Uma cidade que sobrevive aos avanços no sistema de urbanização, com prédios sendo erguidos, ocasionando ilhas de calor.

Foto: Charly Sanches

A natureza tem um poder transformador na vida de milhares de pessoas, e Charly Sanches também é uma delas, que tem o prazer e felicidade de dizer em como as experiências de trabalho no Tumucumaque o afetaram. “Primeiro, tive contato de fato com o Amapá, vendo o quanto é rico, belo e gigante. Segundo, pude ver a diversidade que temos, sejam de animais, vegetais e comunidades”. Sanches ressalta que o parque teve um papel essencial em sua formação acadêmica, pessoal e profissional. Conhecer o Estado em que vivemos é fundamental, é preciso ter a noção e entender que as áreas de preservação são essenciais para a vida conjunta da população e da natureza. “Somos carregados de Ambiente e Cultura que sequer conhecemos”, finaliza o pesquisador.

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