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Roubos a ônibus assusta passageiros em Macapá e Santana

Atualizado: 6 de Jul de 2019

Em 2018, os registros aumentaram 150, 00% em relação ao ano anterior, os Bairros São Lázaro e Jardim Marco Zero lideram as estatísticas de roubo.

Por Josiagab Oliveira


Motorista de ônibus morto em outubro de 2018. Foto: Olho de Boto.

A prática de roubos a ônibus em Macapá tem deixado a população que utiliza esse tipo de transporte assustada. Eles acontecem quase sempre da mesma maneira, bandidos armados com faca e até mesmo com arma de fogo, adentram nos transportes coletivos como se fossem passageiros comuns e em determinado momento rendem os ocupantes do veículo e sobe grave ameaça levam os pertences das pessoas em seguida fogem para áreas de difícil acesso, dificultando as buscas realizadas pela polícia militar. O caso mais impactante ocorreu em outubro de 2018, quando o motorista Paulo Moura, de 50 anos, foi morto com um tiro na cabeça, após um roubo no terminal rodoviário do bairro zerão.


Segundo a Diretoria de Operações da Polícia Militar - DOP, no ano de 2017 foram registrados 32 casos em Macapá e 10 em Santana, já em 2018 os registros chegaram a 94 solicitações em Macapá e 11 em Santana, um aumento de 150, 00%. Os bairros com maior números de registros em 2018 foram os bairros São Lázaro, com 13 registros e o bairro Jardim Marco Zero com 11 casos. Em 2019 os dados ainda não foram computados para análise.

Tabela 01. Comparativo de solicitações de roubo a transporte coletivo em Macapá e Santana – 2017/2018.


Fonte: Diretoria de Operações da Polícia Militar – DOP.

Tabela 02. Comparativo de solicitações de roubos a transporte coletivo em Macapá e Santana por bairro -2017/2018


Fonte: Diretoria de Operações da Polícia Militar – DOP

A luta diária de motoristas, cobradores e passageiros

Para os cobradores e motoristas de ônibus é um desafio diário trabalhar em meio à onda de roubos que acontecem nos ônibus de Macapá. Em outubro de 2018, após um roubo no terminal rodoviário do bairro Zerão, o motorista de ônibus Paulo Moura, 50 anos, que operava a linha Universidade, foi morto com um tiro na cabeça. A vítima estava aguardando no terminal para pegar plantão quando dois bandidos armados chegaram ao local e renderam as pessoas levando celulares e dinheiro das vítimas, entre elas Paulo, que mesmo sem reagir foi atingido com um tiro na cabeça. O motorista não resistiu aos ferimentos e morreu no local, após o fato um dos suspeitos foi morto em uma troca de tiros com uma viatura do Batalhão de Operações Especiais-BOPE.


Segundo Max Deles, representante do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Amapá-SINCOTRAP, a categoria tem trabalhado num clima de tensão e insegurança com os últimos acontecimentos comentou Max.

“Hoje a categoria está trabalhando em estado de pânico no seu local de trabalho”

O representante cobra ainda das empresas de ônibus a instalação das câmeras de segurança na frota de Macapá para facilitar a identificação dos suspeitos finalizou o representante.


“Não existe câmera instalada em nenhum ônibus e isso dificulta o trabalho da polícia, principalmente da polícia civil, que se tivesse a imagem dos criminosos já iria ao encalço desses meliantes”.

A jovem klaudy Aletamy, 24 anos, acadêmica de Fisioterapia da Universidade Federal do Amapá - UNIFAP, que foi vítima de roubo em um ônibus próximo a ponte Sérgio Arruda, zona norte de Macapá, conta como foi a ação dos assaltantes. “Eles entraram e sentaram nos fundos do ônibus, quando passamos a ponte Sérgio Arruda eles sacaram uma arma e mandaram todos entregar os celulares e dinheiro, estavam nervosos e foram agressivos”, comentou a estudante. A jovem conta que todo dia precisar pegar o ônibus que faz a linha Morada das palmeiras - UNIFAP e diz que é difícil conviver com o medo que um fato como esse volte a acontecer com ela novamente.

“Eu preciso ir para a faculdade todo dia e pego sempre o mesmo ônibus, eu tenho muito medo que isso volte a acontecer comigo” finalizou a jovem.

A operação “transporte seguro” da Polícia Militar

A Polícia Militar realiza uma operação para combater os roubos a transportes coletivos em Macapá denominada “ônibus seguro”, que tem o objetivo de prevenir que esses crimes ocorram. O trabalho é realizado em horários e pontos estratégicos de acordo com as estatísticas feitas pela polícia militar de locais e horários em que mais acontecem os roubos. A operação consiste em abordagens em coletivos, onde os policiais montam barreiras e fazem verificação nos veículos e passageiros para tentar identificar possíveis suspeitos.


Segundo a Tenente Annie, da assessoria de comunicação da Polícia Militar, durante as abordagens o policiais sempre fazem as buscas em todos os passageiros para tentar identificar se há alguma coisa ilícita com algum suspeito comentou a tenente.


“Pedimos para que os ônibus parem, os policiais adentram e vão verificar passageiro por passageiro se tem algum material ilícito”

Em 2018 a operação passou a ser chamada de “Transporte Seguro”, além disso, ela foi reformulada e ampliada, estendendo-se para todos os Batalhões da Polícia Militar nas suas respectivas áreas de atuação.


Operação “Transporte Seguro”. Foto: 6º Batalhão PMAP.

As tecnologias que podem auxiliar no combate aos roubos a ônibus

Uma das tecnologias que podem ser implementadas para auxiliar no combate aos roubos a transportes coletivos são as câmeras de monitoramento, que registram a ação dos assaltantes. Embora essas câmeras por si só não sejam capazes de impedir os roubos, elas facilitam o trabalho da polícia civil na identificação dos suspeitos, ajudando dessa forma para que os envolvidos sejam presos e não voltem a cometer esses roubos. Porém, segundo Décio Santos, Diretor do Sindicato das Empresas de Transportes do Amapá – SETAP, os custos para a instalação dessas câmeras de monitoramento para as empresas são muito alto devido ao tamanho da frota de Macapá comentou Décio.


“É um equipamento muito caro, hoje para cada carro fica em torno de sete mil reais, o custo é muito alto por que a frota aqui é de quase 300 carros, mas nós já estamos colocando”

Em alguns estados da federação além de câmeras de monitoramento, os ônibus são equipados com ferramentas que auxiliam no combate aos roubos, uma delas é o chamado “botão do pânico”. Trata-se de um dispositivo que pode ser acionado pelo motorista em caso de perigo e é ligado diretamente à central da Polícia Militar fornecendo via GPS a localização exata do ônibus que está sendo assaltado.


Além disso, o letreiro do ônibus exibe uma mensagem de pedido de socorro como “socorro assalto” para alertar a população a não embarcar no ônibus que está sendo assaltado, evitando que mais pessoas se tornem vítimas. Facilita também para que as pessoas percebam o roubo e acionem a Polícia Militar. No entanto, essa ferramenta foi descartada, pois os próprios motoristas e cobradores não aprovaram a ideia. “A partir da hora que o bandido sabe que aquele carro tem o botão ele já coloca a arma no motorista e fala ‘olha não aciona’, e os próprios motoristas não estão nem querendo trabalhar nesses carros”, finalizou Décio Santos.


Letreiro do ônibus em Vitória – ES, quando o “Botão do Pânico” é acionado. Foto: Alexandre Pelegi.

Em novembro de 2018, aconteceu uma reunião com vários órgãos para traçar estratégias de combate a esses roubos, estiveram presentes no evento representantes da CETMAC, SETAP, SINCOTRAP, Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Civil Municipal, além de representantes da sociedade em geral. O objetivo é formar uma força tarefa e definir atribuições e responsabilidade de cada órgão no combate a esses crimes.


Reunião para discutir estratégias de combate aos roubos. Foto: Patrícia Leal.

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