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Povos Indígenas brasileiros, panorama atual e importância da preservação

Por Karla Gabriela

Foto de Victor Moriyama para a revista National Geographic

Os povos indígenas, por muitos defendidos como “os verdadeiros brasileiros”, estão aqui desde muito antes da chegada dos colonizadores europeus. A data exata e suas origens são imprecisas, permanecendo ainda como uma incógnita para muitos antropólogos e pesquisadores. Desde a chegada do homem branco às terras brasileiras, os nativos, denominados pelos europeus como “índios” já estavam aqui. Eram diversos povos, falantes de inúmeros idiomas, com várias crenças e tradições.

A colonização europeia foi o ponto de partida para o início da degradação desses povos. Além de sofrerem com massacres violentos, os remanescentes e escravizados tinham sua cultura modificada pela intervenção de costumes e crenças eurocêntricas. Apesar disso, assim como os negros trazidos para o Brasil, esses povos conseguiram dar continuidade à perpetuação de sua cultura, mesmo que modificada pelo sincretismo. Alguns, através de muita luta, permaneceram - e permanecem, mesmo que poucos - intocados pelos exploradores.

É inegável que nossa construção, tanto enquanto nação quanto em relação a identidade, sofreu forte influência desses povos. Somos mestiços, então logicamente sofremos influências diversas, desde os colonizadores até os escravizados. Os povos indígenas influenciaram nossos costumes, nosso idioma e até mesmo nossas crenças. O costume de tomar banhos diariamente, por exemplo, é algo que temos graças aos indígenas. Nossa língua portuguesa também é recheada dessa influência. E o que falar da nossa culinária? Mandioca, milho, feijão e diversos outros alimentos que graças aos nossos ancestrais, conhecemos e consumimos quase diariamente.

Desde 1988, com a promulgação da Constituição Federal, o Brasil assumiu o dever de proteger comunidades indígenas, passando por seus costumes, crenças, até seus territórios. O País tem a obrigação de preservar nossos povos originários. Apesar disso, sabemos que o sofrimento por parte deles ainda é real, principalmente no que se refere a perda de suas terras. Entretanto, desde meados dos anos 70, quando se achava que o destino deles era acabar, a curva demográfica que mostrava a extinção desses povos começou a reverter. Mesmo que comunidades específicas tenham desaparecido ou estejam quase extintas, os povos indígenas começaram a crescer novamente.

Segundo o censo de 2010, no Brasil existem aproximadamente 900.000 indígenas, ou seja, eles correspondem a 0,4% da população do país. O maior povo, em sentido de quantidade, é o Guarani, que corresponde a 51.000 pessoas, mas ocupam muito menos terras do que eles têm direito. Nos últimos 100 anos quase toda a terra do povo Guarani foi roubada e transformada em plantações de cana de açúcar, soja ou pasto para gado. Muitos vivem em reservas ou em lonas colocadas na beira de estradas. O povo indígena com maior território são os Yanomami, que tem uma população de 19.000 pessoas ocupando uma área de 9,4 milhões de hectares na região norte da Amazônia. O maior povo indígena amazônico é o Tikuna, somando 40.000 pessoas, enquanto a menor comunidade é composta por apenas um homem, que vive isolado em um minúsculo pedaço de floresta. Todas essas informações podem ser encontradas no site Survival Brasil, uma organização que defende os povos indígenas.

Conservar e defender os povos e a cultura indígena é assumir e certificar a importância dos índios na construção do Brasil e a influência em inúmeros aspectos da vida dos brasileiros. É inclusive uma retratação a toda a exploração e injustiça que esses povos sofreram, sendo historicamente tratados como inimigos por aqueles que invadiram sua casa e saquearam suas terras. Enquanto cidadão, ser preocupado e engajado com a preservação de comunidades indígenas, suas crenças e costumes, é assegurar que gerações futuras possam conhecer remanescentes desses povos e consigam entender sua própria origem. Preservar é a única fonte possível para a continuidade.

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