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Pesquisas inovadoras na UNIFAP visam conter a dengue no Brasil e no mundo

Atualizado: 18 de Jun de 2019

Casos de dengue transmitidos por Aedes aegypti aumentam 303% no Brasil


Por José Carlos Tavares


Dados do Ministério da Saúde confirmam o aumento de 303% de casos de dengue no Brasil em 2019, sendo que até 30 de março foram registrados 322.199 casos da doença no país.


Quando comparado com o mesmo período de 2018 houve um aumento de 242.259 casos. A região Sudeste tem o maior número de casos prováveis (66,3%) e se destaca como a segunda região de maior incidência, quando se considera a relação do número de casos com o número de habitantes, representando 243,5 casos para 100 mil habitantes.


O Centro-oeste foi a segunda região com o maior número de casos prováveis e a primeira em incidência com 349 casos para 100 mil habitantes.


A ocorrência de mortes por causa da doença também é destaque em 2019, pois foram registrados 86 casos contra 51 no mesmo período de 2018.


Com base no levantamento rápido do índice de infestação por Aedes aegypti (LIRAa) de 2019, apresentado no informe epidemiológico da Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) do Amapá, comparando os casos suspeitos e confirmados de dengue de 2018 e 2019 no período de 01/01/2019 a 22/04/2019, demonstrou redução em mais de 80%, com destaque de ocorrências para os municípios de Macapá e Laranjal do Jari.


O fato do Amapá ter demonstrado redução na ocorrência de dengue, fez com que mais medidas fossem adotadas para manter os índices baixos, tais como a vigilância epidemiológica mais eficiente com ações mais precisas quanto ao descarte de lixos e, principalmente mais atenção aos lugares alagadiços, medidas sempre ressaltadas pelo coordenador da Vigilância Sanitária de Macapá, Clovis Miranda.


Pesquisa com Aedes aegypti


O grande vilão na ocorrência da dengue é o mosquito Aedes aegypti, que além de ser responsável por esta doença, é também o elemento chave para os casos de Zika e Chikungunya.


Diversos pesquisadores defendem a tese de que, se medidas não forem adotadas para conter o mosquito Aedes aegypti, sempre haverá a preocupação em termos de conter uma possível epidemia por dengue ou outras arboviroses – doenças transmitidas por insetos – relacionadas a esse mosquito.


Devido aos grandes problemas causados pelo mosquito da dengue, na Universidade Federal do Amapá, no Laboratório de Artrópodes, coordenado pelo Dr. Nonato Souto, diversos projetos são realizados na tentativa de abolir os focos de criadouros desse mosquito. Souto ressalta que diversos projetos estão na mira para a descoberta de um agente larvicida de grande eficácia.

Dr. Nonato Souto. Foto: José Carlos Tavares

Dr. Souto enfatiza que o Amapá apresenta uma biodiversidade exuberante, que oferece muitos princípios ativos que devem ser testados na busca de produtos eficientes para controlar a ocorrência de doenças negligenciadas, tais como a Dengue, Zica e Chikungunya.


Na mesma linha de pensamento trabalha o Dr. Caio Fernandes. Entretanto, Fernandes já se dedica ao desenvolvimento de produtos com base nanotecnológica, que possam ser utilizados para controle da propagação do mosquito Aedes aegypti.


Como Coordenador do Laboratório de Nanobiotecnologia Fitofarmacêutica, Fernandes tem se debruçado ao desenvolvimento de larvicidas e repelentes que possam ser inclusive utilizadas por grávidas e bebês. Ele enfatiza que do seu laboratório saiu o prêmio tese da Capes do ano de 2018 e foi com um tema que teve como estudo o desenvolvimento de larvicidas e repelentes. Vale lembrar que o mesmo laboratório também levou o prêmio de tese da Capes em 2017 com o trabalho da professora Dra. Anna Elisa Maciel sobre o óleo da sucupira.


Não só professores/pesquisadores estão envolvidos nas pesquisas com novos produtos que possam combater o mosquito Aedes aegypti na Unifap, mas também alunos de iniciação científica, mestrandos, doutorandos e servidores técnicos, como é o caso da técnica Karen dos Santos, do Laboratório de Artrópodes.

técnica Karen dos Santos. Foto: José Carlos Tavares

Karen é responsável pela manutenção das cepas - padrões de mosquitos - que são utilizadas nos experimentos com novos produtos larvicidas e repelentes. Karen diz que seu trabalho é de fundamental “importância para que as pesquisas sejam realizadas”, porque trabalha na “replicação das larvas dos mosquitos a partir dos ovos” e, garante que esta replicação gera um padrão de qualidade para a realização das pesquisas.


Em outra frente destaca-se o Dr. Irlon Ferreira, coordenador do Laboratório de Biocatálise da Unifap. O trabalho do Dr. Ferreira já se diferencia dos demais, porque utiliza fungos da natureza para sintetizar substâncias que possam ser utilizadas no combate da dengue.


Ferreira ressalta que a Unifap tem um importante papel econômico-social aos níveis de estado e regional, já que “dispõe para a sociedade pessoas capacidades que possam desenvolver e transformar a sua realidade”. Dentro desse contexto o grupo de biocatálise coordenado por Ferreira dedica-se também a pesquisa de novos agentes que possam combater o mosquito Aedes aegypti, com resultados promissores.


A partir das bases de dados de publicações dos diferentes grupos da Unifap, percebe-se que as pesquisas realizadas no campo do combate ao mosquito Aedes aegypti são de grande destaque no meio acadêmico-científico no Brasil e no exterior, o que leva a um significado número de citações em outros artigos de pesquisadores da área de outros países, gerando um índice de impacto que os qualificam como grupos de excelência científica.

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