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Os desafios da educação especial na inclusão

Atualizado: 1 de Mai de 2019

A educação Especial enfrenta constantes desafios e requer capacitação para os educadores que atuam nessa área.


Por Alano Dias e Daniele Fernandes


Embora se discuta muito sobre o processo de inclusão do aluno com deficiência, ainda há grandes desafios dentro das escolas. Atualmente um dos temas mais falados dentro da educação especial é o ensino para alunos com TEA- Transtorno do Espectro Autista, uma vez que suas causas ainda não foram identificadas, o autismo não pode ser prevenido, não existe cura ou tratamento particularmente eficaz. Os sintomas do autismo são heterogêneos, mas necessariamente envolvem déficits no relacionamento e na comunicação social, bem como interesses restritos e comportamentos repetitivos.

Uma das suas características principais é a dificuldade com a interação social, portanto, para um autista nem sempre as atividades corriqueiras de outras crianças são vistas de formas positivas e os agradam, no entanto, a forma pela qual essas dificuldades se manifestam variam muito de pessoa para pessoa.

Após a descoberta do autismo, tem existido muitas mudanças nos contextos em que ele é pesquisado. Foi somente nos últimos dez anos que se estabeleceram um consenso suficiente a respeito dos sintomas do autismo para que fosse possível a criação de diagnósticos válidos e confiáveis, o que constitui um progresso fundamental para a pesquisa.

A escolarização associada ao autismo é possível. O aluno com autismo pode ser escolarizado quando lhe são oferecidas oportunidades para que esse processo ocorra, com professores que tenham conhecimentos sobre o aspecto, e também sobre os programas e métodos educacionais mais adequados para ensiná-lo.

Em Macapá, o índice de alunos com deficiência ou transtornos dando entrada na rede de ensino vem aumentando gradativamente, deste modo, eventos para promover qualificação para os profissionais da educação especial estão ocorrendo com mais frequência, o que é de extrema importância para a inclusão adequada destes alunos.

Em fevereiro de 2019, a Secretaria Municipal de Educação (SEMED) realizou o 1º Ciclo de Estudos sobre Altas Habilidades/Superdotação e Autismo Infantil para professores e coordenadores debater a forma como os profissionais estão trabalhando para fazer a inclusão de alunos especiais.


1º Ciclo de estudo reuniu mais de 100 pessoas em dois dias de palestras.

As pessoas que não possuem contato direto com uma pessoa que apresenta transtornos ou algum tipo de deficiência muitas vezes escuta falar sobre, mas não tem o conhecimento necessário para saber lidar e fazer a inclusão de maneira correta, segundo Marlon Assis, chefe da Divisão de Educação Especial e professor: “ Já se sabe o que é o autismo, as pessoas tem informações sobre o que é, mas o professor que está lá no atendimento ou a escola muitas vezes não sabe como trabalhar com essa criança. A gente recebe esse aluno também para uma avaliação, mas essa avaliação é multiprofissional com psicólogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, pedagogos, mas o caráter dela é pedagógico, afinal a escola não é clínica, ela é educacional”.

Uma das palestras do evento, foi ministrada por uma psicóloga e mãe de uma criança autista, Nelcirema Pureza é especialista nas áreas de Neuropsicologia, Gênero e Diversidade na Escola, Mestra em Ciências da Saúde e Vice-presidente da AMAZUL – Associação de Proteção aos Direitos da Pessoa com TEA.

Nelcirema relatou a importância de eventos de capacitação para os profissionais da educação especial, “acredito que ela vai preenchendo uma lacuna que existe nos cursos de graduação, em que a gente encontra poucas graduações que tem de fato disciplinas que trabalham a questão das deficiências na perspectiva de inclusão. Então, nos casos dos cursos de formação continuada eles têm essa possibilidade de trazer [informação] quando o professor está em campo, essas informações que muitas vezes os cursos não repassam”.


Nelcirema Pureza ministrando palestra no segundo dia do evento.

Por ter uma relação familiar maternal e ser profissional da área de educação especial e pesquisar nessa área a psicóloga explique que teve “possibilidade de detectar alguns sintomas e sinais bem precoces do autismo e nós iniciamos a intervenção antes mesmo do diagnóstico ser formalizado, isso também me colocou particularmente em contato com a realidade de muitas famílias com pessoas com deficiência e transtornos”.

Cláudia Bezerra, também é mãe de um autista e contou que a descoberta do autismo em seu filho Cézar não foi nada fácil, pois só após o diagnóstico de um médico, quando seu filho já tinha 5 anos de idade. Surpresa, ela não imaginava que o filho pudesse ter autismo. “As pessoas davam diversos palpites por ele ter tido um desenvolvimento diferente das outras crianças. Eu não queria encarar aquilo como se fosse uma doença, deixava passar, esperando o tempo dele, até que tomei a decisão de procurar um médico e após relatar as características do comportamento do meu filho logo tivemos o diagnóstico exato dele”, explicou a mãe.

“O papel da escola foi essencial para ajudar nos tratamentos do meu filho, antes somente eu conseguia interagir com ele, hoje não, ele interage com mais pessoas. Os professores capacitados no ensino especial são muito importantes, e eu fico muito feliz que hoje isso está se tornando cada vez mais realidade nas escolas, afinal o meu filho e todos os outros merecem a inclusão”, concluiu Cláudia.

Apenas em 2015 foi criada a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LEI Nº 13.146, DE 6 DE JULHO DE 2015), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando a sua inclusão social e cidadania para que fossem desenvolvidas políticas públicas mais adequadas.

“A formação continuada, é sempre bem-vinda, muito embora não consiga dar total apoio, pois há questões que vão além de suas capacidades, porque requerem atitudes de um macro sistema, ou seja, políticas públicas que envolvam não apenas a área da educação, mas setores sociais diversos, capazes de se envolverem com a causa, dando condições reais das famílias serem abraçadas com todas as necessidades de fato e de direito”, relata a psicopedagoga Tereza.

Ela ainda esclarece que “muito se tem falado em autismo, pois sua incidência aumenta consideravelmente, em relação a outras deficiências, contudo, a inclusão social, não apenas na educação, ainda é precária. Essas pessoas e suas famílias sofrem muito por conta, ainda dá pouca, e em muitos casos, ausência de serviços públicos abrangentes e de qualidade ao autismo, dada a sua relevância”, finaliza Tereza.

Se todos os direitos fundamentais para as pessoas com deficiência fossem garantidos, a qualidade de vida e a inclusão para todos os alunos que estão dentro das escolas, ajudaria não só a superar todos os obstáculos que os cercam em seu dia a dia, mas também terem suas individualidades respeitadas, tornando-os dignos de chegarem onde e quando quiserem.


Victor Dias portador de autismo e criador de artes digitais.

Exposição das obras de Victor Dias.

Em Macapá, todas as escolas já fazem o atendimento à educação especial, tanto no Ensino Infantil, Fundamental, e Educação de Jovens e Adultos (EJA). Até 2018, segundo dados da Divisão de Educação Especial, 699 crianças já eram atendidas pela educação especial do Município.

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