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Opinião: o futebol amapaense sofre com a falta de investimentos e a má administração

Atualizado: 22 de Abr de 2019

Por Luan Coutinho/ Editor de Esporte da revista Tajá


No Amapá, na maioria das vezes, o esporte é deixado de lado. Para conseguir bons resultados em competições é preciso correr atrás de dinheiro e investimentos. No futebol, além desse problema, a má administração dos clubes é outro ponto que impede o crescimento destas instituições.

Recentemente o clube São José, time tradicional de Macapá, teve que fechar as portas por conta de problemas financeiros e administrativos. A sede foi leiloada em 2018, e o clube ainda tentou recuperá-la. No entanto, o time não conseguiu o dinheiro para recomprar a sede. Hoje, muitos atletas que tinham a vida no São José estão sem nenhum lugar para treino ou até para morar.


Além do São José, diversos outros clubes perderam sua sede social. O time do Amapá, por exemplo, nem conseguiu terminar sua sede em Macapá, que teria oito andares. O clube se afundou em dívidas e não disputa um campeonato estadual profissional há 10 anos, tudo por conta de sua má administração.

Atualmente o time mais bem estruturado no Amapá é o Santos-AP. O clube tem uma sede bem estruturada, e conta com um grande Centro de Treinamento (CT), fruto dos cinco anos consecutivos como campeão amapaense, que lhe renderam vagas na Copa do Brasil e Série D, além da Copa Verde.

Mesmo assim o time não conseguiu grandes resultados nas competições nacionais como a Copa do Brasil, onde o time foi eliminado na primeira fase várias vezes conseguindo apenas um empate contra o Santos-SP como maior triunfo em 2016. Na Copa Verde o time também não obteve bons resultados, salvo uma única oportunidade que a equipe foi até a semifinal do torneio.


Nas competições nacionais os times amapaenses enfrentam dificuldades. Somente em algumas oportunidades, como na Copa São Paulo de Futebol Junior que o São Paulo-AP conseguiu avançar para a fase eliminatória. O feito do clube amapaense já é muito grande para os recentes resultados dos clubes tucujus na competição. Nas outras edições ficou clara a diferença dos times amapaenses com os de outros estados.

Esta diferença, técnica e administrativa, foi percebida também na equipe do Trem neste ano de 2019 quando disputou a Copinha. O time nunca venceu um jogo em todas as edições que participou da competição.

Apesar de a locomotiva ter treinado mais de 4 meses, o Trem parecia estar sem ritmo de jogo, o que seria fruto de uma boa preparação do time.


Outro grande problema no Amapá é a Federação Amapaense de Futebol (FAF). A Federação não dá nenhum tipo de suporte para os clubes locais nos campeonatos nacionais, o que poderia ajudar e muito no aumento dos times em nível nacional. Além do mais, a FAF oferece um calendário pífio para os times. Neste ano, por exemplo, o Campeonato Amapaense irá durar apenas dois meses e depois os clubes tucujus ficam sem nenhuma competição para jogar.


Jogadoras do Oratorio treinam em campo de terra. Foto: José Eduardo Lima

O fraco desempenho do futebol amapaense nas competições é claramente um problema de gestão dos clubes e Federação, que logicamente geram falta de investimento nos clubes pelos empresários locais.

A falta de patrocínio nos clubes, e às vezes até mesmo em competições, faz com que os torneios não sejam tão atrativos para os times. O Amapazão, que deveria chamar mais atenção, já chegou a ter apenas cinco times na competição por não ter patrocínio. O que serve de atração são as vagas na Série D e Copa do Brasil. No entanto, com a falta de investimento fica complicado jogar nesses torneios.

É nítido que temos grandes jogadores no estado. Mas os times de fora, por terem mais investimentos e uma projeção de vida maior, proporcionam mais destaque para os jogadores. Recentemente, o Vasco levou alguns atletas novos do Amapá para compor o seu elenco júnior.


Na categoria feminina, o investimento é muito menor. Além da pouca divulgação, quase não se ouve falar sobre as competições realizadas pela FAF. São poucas as oportunidades no Amapá, algumas jogadoras conseguem ir para fora como o caso da ex-zagueira da seleção brasileira, e Corinthians, Aline Calandrini.

No estado do Amapá existem competições amadoras que têm mais organização que as realizadas pela Federação Amapaense. A Copa do Mundo Marcilio Dias, por exemplo, mostra uma grande organização e deve ser observada pela FAF, para que esta possa aprender um pouco sobre como organizar uma competição de verdade.

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