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Novos mercados surgem por meio da ciência e tecnologia

Atualizado: 29 de Mai de 2019

Dois projetos sustentáveis de estudantes de Engenharia Elétrica da UNIFAP conquistaram o primeiro e terceiro lugar, respectivamente, em 2016 e 2018 do Prêmio Professor Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo.


Por Sávio Leite


Arquivo do CEO - equipe integrante da empresa de digital

Os projetos científicos idealizados nas Unidades de Ensino Superior estão ocupando espaços externos do ambiente acadêmico. Programas de pesquisas incentivam a criação por parte dos estudantes, visando utilizar as inovações para proporcionar à sociedade novos mecanismos que atendam as necessidades cotidianas por meio da diminuição da degradação ambiental. Empresários amapaenses do setor digital também estão aprimorando instrumentos para otimizar serviços com a utilização da tecnologia, a qual mostra ser o futuro do empreendedorismo.


O professor da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) do curso de Engenharia Elétrica, Alaan Ubaiara Brito, de 43 anos, orientou dois projetos que conquistaram o primeiro e o terceiro lugar no Prêmio Professor Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente, no ano de 2016 e 2018. As duas inovações consistem na utilização da energia solar para beneficiar a produção de açaí e a farinha de mandioca, respectivamente.

Alaan Ubaiara Brito apresenta informações sobre os projetos de seus orientandos

O concurso oferece recompensas em dinheiro aos projetos que preencham os requisitos de Samuel Benchimol (1924 – 2002) que diz: “o mundo Amazônico deve ser economicamente viável, ecologicamente adequado, politicamente equilibrado e socialmente justo”. Os projetos conquistaram suas colocações por estarem de acordo com os pré-requisitos da competição.


A pesquisa que conquistou a primeira colocação, no ano de 2016, foi a “Batedeira Solar de Açaí” fotovoltaica que transforma a captação, por meio de placas solares, da energia emitida pelo sol na energia elétrica. A elaboração do invento surgiu de uma ideia para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) das estudantes Anita Almeida e Allana Feijão para o curso de Engenharia Elétrica. As estudantes pretendem propagar a invenção para os interiores onde não há energia elétrica. A categoria vencida foi a Economia Verde.


No ano de 2018 foi a vez do estudante de mestrado do curso do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCA), André Queiroz. O conceito é similar com a criação anterior, de utilizar a energia solar para oferecer as comunidades do interior do estado um mecanismo eficiente de produção. O diferencial é a não oscilação, ou seja, mesmo com a chuva o equipamento é capaz de se manter funcionando, por trabalhar com a carga de energia adquirida pela luz solar com um sistema de bombeamento de água.


A ferramenta é denominada de “Unidade Solar Fotovoltaica para Beneficiamento de Mandioca e Produção de Farinha” (ralador de mandioca elétrico), constituída pelo mestrando, e recebeu a terceira colocação na categoria Iniciativa de Desenvolvimento Local. Também concorre ao Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social de 2019.

Professor de Engenharia Elétrica demonstra os protótipos de seus orientandos

O professor que orientou os estudantes idealizadores dos projetos mencionados, explanou a relevância de incentivar os alunos dos cursos presentes na UNIFAP para desenvolverem pesquisas voltados a oferecer a população amapaense meios inovadores. “Nós precisamos rever o nosso projeto político pedagógico, para que possamos internalizar essa prática dentro da matriz curricular dos cursos de graduação. Estamos fazendo isso de forma tímida”. Para ser viável o aumento de programas científicos, Alaan Ubaiara Brito acrescenta que é preciso “a criação do parque científico e tecnológico no Estado. Criar esse ambiente é fundamental para ter laboratórios de referência”.


Núcleo de Inovação e Transferência de Tecnologia (NITT)


Proteger as inovações geradas na Universidade é o papel desse setor presente na UNIFAP. O Núcleo de Inovação e Transferência de Tecnologia atua nos casos de criações de pesquisadores da instituição desde 2013 quando estão de acordo com os requisitos para adquirir a patente (o Estado garante ao titular de uma criação o registro exclusivo para ser comercializado). O NITT faz o processo de elaboração de requerimento ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para obter o registro.

Vasnia Bagundes explica como o NITT atua na UNIFAP

A secretária do Núcleo, Vania Bagundes, de 38 anos, informou que a Universidade Federal do Amapá possui depósitos de pedidos de patentes. “O período desse processo é de dois a dez anos. Depende do processo do INPI, a gente não tem esse controle. Fazemos o depósito e acompanhamos, caso apareça alguma exigência ou apresentação de documentação a mais”, falou.


Empreendedorismo digital realizado por amapaenses


Além do ambiente acadêmico, empresários amapaenses ganharam notoriedade no mercado tecnológico por desenvolverem ferramentas eficazes na depuração de informação. É o caso de Felipe Ferreira, de 29 anos, que é o CEO (Chief Executive Officer - Diretor Executivo) de uma Startup (empresa que inicia com a intenção de inovação). O negócio trabalha com o aprimoramento de gerenciamento de dados presentes no ambiente escolar.


Há onze anos, em 2008, quando o empresário tinha 18 anos de idade, ele desenvolveu juntamente com sua equipe um software para atender as instituições de ensino, o qual parte da premissa de tornar os trabalhos realizados nos educandários de forma veloz e eficiente. Desta forma, não somente as pessoas que realizam atividades nessas entidades seriam beneficiadas, como também a sociedade que necessita do serviço de educação.


A ideia do CEO foi de utilizar seus conhecimentos de tecnologia para transformar um setor que utilizava majoritariamente o sistema de documentos físicos, no caso, montanhas de papel, para ser manuseado por meio da utilização da plataforma digital, ou seja, as informações foram digitalizadas. As instituições que contrataram o serviço obtiveram ganhos, como a diminuição do espaço físico para guardar a papelada. Grande parte do trabalho pode ser feito através de um computador.

Arquivo de Felipe Ferreira - CEO e sua equipe realizam roda de conversa

Segundo Felipe, na época que decidiu ingressar no ramo tecnológico não pretendia desenvolver esse sistema. A plataforma para atender as demandas das escolas foi criada a partir das dificuldades de um sócio, que trabalhou como professor, na realização das atribuições de um profissional da educação de forma manual. Os conhecimentos técnicos de programação da equipe solucionaram o problema do educador, posteriormente foi propagado para outros professores a inovação, com isso o programa ganhou espaço.


O empreendedor afirmou sobre o aproveitamento das oportunidades, pois o ambiente dos negócios inovadores, as Startups, são desenvolvidos e aprimorados por meio das necessidades que surgem ao longo da caminhada dos investidores, geralmente amparados pela tecnologia. “O empreendedor sente uma dor e pensa numa solução, começa ver que aquela dor não é só dele, como também do mercado, de uma categoria. Você tem que pensar numa solução escalável, para replicar isso para vários estados e países sem precisar necessariamente estar fisicamente nesses lugares”, disse.

Arquivo do CEO - quando as metas são batidas a equipe comemora

No início da jornada, a empresa sofreu com o preconceito de algumas instituições do Estado, elas preferiram buscar softwares de desenvolvedores de outras cidades por não acreditarem no trabalho idealizado dentro de casa. A barreira foi quebrada quando a plataforma começou a ser exportada para outros estados, onde atendia educandários do setor privado e consequentemente o mercado local foi conquistado. Hoje, a empresa atende 2454 escolas, e atua também em Portugal, Moçambique, Angola, Senegal e Japão.



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