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Mesmo sendo recente, a maquiagem vegana já apresenta muitos benefícios

As vantagens vão além da beleza sustentável, prevenindo o bem estar dos animais desde a fabricação até a distribuição


Por Mayra Carvalho


Foto: Moran maquiagens veganas/Divulgação

Uma maquiagem é vegana quando não é testada em animais e não possui nenhum ingrediente de origem animal, como mel, cera de abelha, colágeno e carmim. Esse tipo de cosmético pode conter ingredientes sintéticos, para substituir a composição de origem animal. Mas isso não o desclassifica como vegano.

A blogueira Ariane Ficher, do blog AriVegan, explica que existem maquiagens veganas, que são marcas totalmente veganas. Desde o fabricante até o fornecedor não há envolvimento com testes e exploração de animais e não apoiam esportes que envolvem a exploração animal, como rodeio e hipismo. E existem também maquiagens aptas para veganos, quando a marca produz cosméticos veganos, mas também possui alguns produtos que contém ingredientes de origem animal e podem ou não ser testados em animais, ou seja, a marca atende aos dois públicos (veganos e não-veganos), como a Natura, Vult, Boticário, Urban Decay, Smashbox e Kat Von D.

A maquiagem sustentável ainda é bem recente, então é comum confundir maquiagem vegana com orgânica e natural. Mas são os detalhes que fazem a diferença. A maquiagem orgânica não é sinônimo de vegano, então pode conter derivados de animais, como cera de abelha. O Instituto Biodinâmico (IBD) informa em seu site que a maquiagem é considerada orgânica quando tem no mínimo 95% de matérias-primas orgânicas. Já a maquiagem natural não possui nada desenvolvido em laboratório de forma artificial, como corantes e fragrâncias. Um cosmético é natural quando possui 95% de ingredientes naturais e 5% de matérias-primas orgânicas.

Cruelty-free

Outro ponto muito confundido é o termo cruelty-free, “livre de crueldade” em tradução livre, que caracteriza produtos que não são testados em animais, mas não necessariamente são veganos. Ficher explica que na maioria das vezes os produtos com selo cruelty-free podem ter ingredientes de origem animal. A blogueira afirma também que o cruelty-free “foca somente nos testes em animais, e não nos diversos outros tipos de crueldade animal que uma marca/produto está inserido”.

Vivian Veloso trabalha como maquiadora há alguns anos, mas há exclusivamente um ano trabalha apenas com produtos veganos. Antes de comprar as maquiagens, principalmente de marcas internacionais, ela utiliza o selo da People of the Ethical Treatment of the Animal (PETA) para conferir se os produtos se encaixam nos pré-requisitos de cosméticos veganos e/ou cruelty-free. A PETA é uma ONG que se dedica aos direitos dos animais e disponibiliza em seu site uma lista com todas as marcas que possuem produtos veganos e empresas que apresentam o selo cruelty-free. Existem diversas outras organizações, que se adequam ao objetivo da marca ou empresa e disponibilizam selos, como a EcoCert, Forest Stewardship Council (FSC) e Cosmetic Bio.

No entanto, é preciso sempre fazer umas pesquisas a mais. De acordo com Ficher, cada organização que concede esses selos vegan ou cruelty-free possuem seus próprios requisitos de verificação antes de dar o selo às empresas. “Somente selos/certificações ou informações presentes na embalagem da maquiagem não são suficientes”, disse. Muitos veganos, como Ficher, pesquisam e investigam empresas e depois divulgam em seus blogs e redes sociais, por conta própria, com o objetivo de esclarecer dúvidas e mostrar ao público quais maquiagens e produtos cosméticos em geral são realmente veganos e quais não se encaixam no conceito. E assim, facilitar na compra e escolha. Pois, segundo a blogueira, não há uma definição legal do que “vegano” ou “cruelty-free” deve significar.


Selos de identificação contidos nas embalagens de cosméticos que se adequam ao veganismo.

Diferenças entre maquiagem vegana e maquiagem comum

A esteticista e cosmetóloga Suelen Garbin explica que o uso da maquiagem vegana é um estilo de vida, ou seja, isso não significa necessariamente que a maquiagem vegana é “mais leve ou que é melhor para a pele”. Em relação às diferenças entre maquiagens veganas e as demais maquiagens, Veloso afirma que

“a diferença é apenas na questão ética”

ou seja, o que muda é a compreensão no que se refere aos animais na indústria cosmética.

Ficher afirma que a durabilidade, pigmentação, aplicação, qualidade e resultado é o mesmo. A maquiadora também aponta o apoio a uma indústria livre da exploração animal como um benefício do cosmético vegano. Claro, o modo de uso das maquiagens veganas variam de marca para marca, assim como as maquiagens convencionais. A blogueira explica que “no uso prático do dia a dia, o nível de qualidade, acabamento e todo o resto, vai depender muito de cada marca e seu objetivo com os produtos. E isso não envolve o veganismo”.

Quando se trata de diferenças entre as maquiagens, acabam sendo criados alguns mitos, como, por exemplo, maquiagens veganas serem mais caras. Ficher esclarece que, assim como as maquiagens não veganas, as maquiagens veganas variam de preço. O mito do preço elevado tem a ver com a ligação automática feita entre cosméticos veganos, orgânicos e naturais, que de fato são mais caros. Explica ainda que existem inúmeras marcas de maquiagens aptas para veganos dos mais variados preços e é possível encontrar cosméticos a partir de R$10. A blogueira comenta que “é um erro enorme generalizar tudo isso apenas porque uma marca que vimos é cara”.

Comparada às maquiagens convencionais, as veganas tem uma menor possibilidade de agredir a pele ou desenvolver alergias em quem as usa. A dermatologista Camilee Tostes afirma que por conta da presença de ingredientes sintéticos e a composição ser bem menor, peles mais sensíveis são bastante favorecidas. Ela indica que deve ser feito uma avaliação com “o tipo de pele e o tipo de cosmético a ser utilizado para que o uso não piore aspectos individuais da pele, como oleosidade, acne, rosácea”.

Milena Monticelli, que também tem alergia a alguns produtos, como sombras, conhece a make sustentável e tem bastante vontade de começar a usar, mas aponta a dificuldade em encontrar a maquiagem vegana nas lojas. Já Aguiness Naná possui alergia a cosméticos usados próximos aos olhos, como rímel e lápis de olho. Para evitar uma reação alérgica mais grave, preferiu não usar mais maquiagem na região dos olhos. Ela afirma que a maquiagem vegana pode ser uma alternativa, mas tem um receio de usar, por não conhecer.

Garbin indica que sempre deve ser feito pesquisas antes de comprar qualquer cosmético e sempre levar em consideração indicações profissionais, para não ser levado a comprar determinado produto por moda. A esteticista e cosmetóloga aponta como maior cuidado

“não ir conforme a moda, ir conforme a sua pele”.

Outro benefício ao usar maquiagens veganas é a redução na exploração dos animais na indústria cosmética. Ficher justifica o uso da maquiagem vegana “para não contribuir com a morte e exploração de animais, não financiar certas práticas e empresas que são extremamente cruéis e tratam animais somente como objetos que geram lucro.”

Veloso sugere que quanto mais for mostrado às empresas que a preferência é por produtos veganos, mais as empresas deixarão de utilizar animais na fabricação e testes dos itens. “É totalmente possível fazer uma indústria cosmética livre de crueldade animal e com produtos de altíssima qualidade”, afirmou.

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