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Mercado de trabalho X Carreira acadêmica – Qual seguir?

Atualizado: 6 de Jul de 2019

Ambos podem render bons frutos para a vida profissional.


Por Daniele Fernandes.

Chegar na reta final de um curso superior exige do acadêmico tomar uma decisão entre qual caminho seguir: mercado de trabalho ou carreira acadêmica. Tendo em vista que muitas dúvidas podem surgir no decorrer desse percurso, cabe ao estudante verificar quais são as suas habilidades e de que modo ele pretende desenvolvê-las a partir da sua graduação.


Para quem se identifica com a busca constante de mais conhecimentos, produção de artigos e estudos que colaborem com o avanço tecnológico, científico e outros, há uma grande possibilidade de se encontrar na carreira acadêmica e somar com o mundo das pesquisas de forma muito positiva.


Já para os ingressantes ao mercado de trabalho, ressaltamos que é importante que seja uma pessoa que goste da ação operacional e busque trabalhar com resoluções imediatas no seu dia a dia, afinal é uma rotina constante e cheia de desafios a serem conquistados.


Confira nesta reportagem, exemplos que podem ajudar você a escolher um caminho para a sua carreira profissional.

Mercado de trabalho


Estar no mercado de trabalho é exercitar na prática o que foi aprendido na teoria, ter um aprimoramento de aptidões comportamentais e técnicas, ampliando também o relacionamento interpessoal.


John Pacheco, jornalista formado pela Universidade Federal do Amapá, atualmente repórter do G1, nos contou um pouco da sua trajetória até aqui. Enquanto cursava a graduação, optou por testar na prática os ensinamentos que tinha na universidade e assim passou a ter certeza que iria seguir carreira na profissão.


É importante que durante o curso o acadêmico busque oportunidades que lhe coloquem na rotina seguida pelos profissionais da área. John também relatou o seu desejo em unir mercado de trabalho e carreira acadêmica, afinal, nada impede que os dois meios se acrescentem.


Em conversa com Gleice Silva, bacharel em Nutrição que atua no mercado de trabalho como nutricionista de produção, sendo uma profissional que opera em Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN) planejando cardápios, supervisionando a produção de refeições, as instalações físicas das cozinhas industriais e os métodos de controle de qualidade dos alimentos.


Nutricionista Gleice, atuando em cozinha industrial.

A nutricionista relatou sua experiência até tomar a decisão de seguir carreira no mercado de trabalho: “No estágio na área de UAN eu tive o prazer de conhecer um professor que me ensinou muitas coisas, me passou um conhecimento e uma visão bem maior do que eu imaginava sobre produção. Até então eu só conhecia a parte teórica, não sabia qual a realidade da prática, que é algo totalmente diferente e ele viu em mim potencial e todas as características de uma nutricionista de produção. Essa é uma área que eu me apaixonei, saí da faculdade querendo isso e hoje não me vejo mais em outra profissão, fazendo outra coisa, a não ser nutricionista de produção”, diz.


Outro exemplo, Cliver de Brito Campos, bacharel em Jornalismo, atuou por muitos anos como radialista e foi o primeiro jornalista amapaense a estrear em rede nacional e internacional pela rádio CBN, uma rádio transmitida online para 56 países.


Cliver Campos em visita à sede da rádio CBN em São Paulo)

Atualmente Cliver descobriu uma nova paixão dentro do leque de opções que existem na sua área de atuação, a assessoria de imprensa. O jornalista está exercendo a função de assessor de comunicação da Coordenadoria Municipal de comunicação Social da Prefeitura de Macapá.


Além disso, ele está se capacitando em Assessoria de Gestão e Comunicação, e Gerenciamento de Crise de Imagem, ambas estão inteiramente ligadas ao trabalho que ele vem exercendo. Cliver também falou sobre a importância dessa continuidade em buscar capacitações para desempenhar melhor a sua carreira profissional.


“O curso superior me deu segurança, eu chego hoje tranquilo, já sei o que eu tenho que fazer, já sei por onde “atacar”, já sei o que precisa ser feito seja na comunicação institucional ou na comunicação em veículos de comunicação e empresa”, relatou o jornalista.


O importante é estabelecer metas e ter foco para pôr em exercício todo o conhecimento alcançado na graduação e aplicando-o na prática, se o que realmente desejar for adentrar ao mercado de trabalho, seja qual for a área, se capacitar será uma ótima opção para um currículo de destaque.


Carreira acadêmica


Seguir por este caminho é uma excelente opção para aqueles que têm gosto pelo conhecimento e pela pesquisa. O sucesso na carreira acadêmica depende em grande parte da área escolhida e do empenho do profissional.


A Dra. Ana Cristina Rocha, é formada em História, tem mestrado em Direito Ambiental e Políticas Públicas, e doutorado em Desenvolvimento Sociocultural. Dedica-se aos estudos voltados para a preservação, gestão e sustentabilidade do patrimônio arqueológico na Amazônia e também é autora de quatro livros.


A pesquisadora atribui aos seus professores tudo o que ela se tornou, segundo Ana, sua carreira profissional deve-se aos incentivos que eles deram, o que tornou a sua escolha por qual caminho seguir menos confusa e mais satisfatória.


“Desde a graduação os professores sempre me incentivaram muito, porque eu sempre gostei de escrever, é uma coisa que eu faço até hoje com muito prazer. Então eles perceberam isso e desde a graduação sempre me incentivaram”, relatou Ana Cristina.

Dra. Ana Cristina apresentando um projeto cientifico.

Nem todas as pessoas conseguem tomar essa decisão com tamanha clareza, mas todo conhecimento é válido quando se trata do que seguir no futuro, a palavra certa é dedicação.


Alexandre Evangelista da Silva é professor licenciado pleno em Educação Física, Bacharel em Jornalismo, pós-graduando em Comunicação em Crises nas Organizações Públicas e Privadas e pós-graduando em Mídias na Educação. Desde sua primeira graduação, Alexandre optou por seguir a carreira acadêmica, com o objetivo de um dia fazer parte da docência de nível superior.


Atualmente o professor consegue mesclar os conhecimentos que adquiriu nas duas graduações na maneira como aplica as suas aulas para crianças da rede pública do estado do Amapá. Vale ressaltar que ele não pretende parar por aqui, está constantemente em busca de novos conhecimentos para integrar-se há um mestrado, doutorado e partir para uma nova fase em sua carreira profissional.


“Eu resolvi fazer uma outra graduação de Jornalismo, porque eu queria entrar na vida acadêmica, na docência do nível superior, eu já tenho uma graduação de Educação física e também já tenho docência nas escolas da rede pública do estado do Amapá. Então eu quis me desafiar para trabalhar com o ensino superior”, explicou Alexandre.


Professor Alexandre Evangelista almeja a carreira acadêmica

Em contrapartida também é necessário observou que mesmo nos dias de hoje parte da sociedade não entende as titulações acadêmicas, isso acontece normalmente por questões culturais que costumam denominar como doutores médicos e advogados.


Carliane Alves, cientista ambiental, mestre em ciências ambientais, optou pela carreira acadêmica não só por incentivo de seus professores, mas também por ver que injustamente eles nem sempre são reconhecidos da maneira que merecem, afinal, seguir carreira acadêmica é um desafio árduo e requer muita persistência.


“Vivemos em uma sociedade ainda muito acomodada em questão de educação e títulos. Um meio em que advogados e médicos são chamados de doutores por conhecimento empírico, por costumes culturais, fazendo com que muitas pessoas que buscam essa titulação acabem se acomodando apenas com o curso superior. Onde na verdade os verdadeiros doutores são aqueles que fazem o doutorado, os verdadeiros mestres são aqueles que tem o título de mestrado. Então se a sociedade fosse reeducada, iriamos incentivar mais as pessoas a participarem dos cursos de mestrado e doutorado”, explica a mestre Carliane.

A cientista ambiental Carliane Alves em sua defesa de dissertação do mestrado.

Apesar disso, a carreira acadêmica consegue se destacar em outros aspectos, além da capacidade de aprofundar conhecimentos, esta carreira possibilita a estabilidade financeira que muitos buscam. Contudo, é importante que se durante a graduação o acadêmico elaborar projetos de pesquisa ou até mesmo faça monitoria em alguma disciplina, a proximidade com professores e outros alunos podem facilitar a ter uma visão melhor sobre o meio acadêmico e ajudar nesta decisão.


Se no final do curso existir apreciação pelos dois meios profissionais, permita-se tentar os dois, nada o impede de concilia-los, afinal tudo dependerá das suas vivências, as quais só cabem a você considera-las satisfatórias e sentir-se realizado profissionalmente.

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