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Macapá: entre ruas e canais

Atualizado: 27 de Mai de 2019

Pessoas moram sobre canais e lagos da cidade; prefeitura tem revitalização como um dos principais projetos do mandato.


Por Thiago Nunes


A cidade de Macapá, capital do Amapá, possuía uma população estimada de 493.634 pessoas em 2018, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Macapá carrega o título de ser a única capital banhada pelo Rio Amazonas, fator que faz a cidade ter contato direto com o rio mais caudaloso do mundo, passando a ter relação intensa com toda sua rede hidrográfica.


Canal da Mendonça Júnior - Foto Thiago Nunes

O município possui canais dividindo suas ruas da zona norte à zona Sul. Na capital amapaense, os canais das Pedrinhas, Beirol, Mendonça Júnior e do Jandiá são exemplos de alguns dos mais conhecidos.


Importância Geográfica


Antes de falar sobre os canais no espaço urbano, é necessário entender o que são os canais. O geógrafo Rodolfo Paixão faz a explicação.


"Os canais podem ser 'canais artificiais' e 'canais naturais'. Os naturais se originam naturalmente dentro de uma rede hidrográfica e servem para escoar a água da superfície na direção do rio, para uma parte que contenha uma capacidade hídrica maior. Os artificiais possuem a mesma função, porém são construídos pelos homens", esclarece.

Transbordamento do Canal das Pedrinhas - Foto: Thiago Nunes

Ou seja, o conjunto de canais formam uma rede de drenagem que serve para retirar águas da superfície. Estas que são direcionadas aos canais e se voltam para uma estrutura com maior capacidade, como os rios.


"Se os canais forem obstruídos e se não houver manutenção, o escoamento das águas superficiais não acontece, o que acaba causando inundações", finaliza Rodolfo.


Ações da Prefeitura


"A prefeitura, dentro da logística completa que nós temos, do início do material até seu destino final, conta com uma equipe de fiscalização que é demandada pela população através de um contato de WhatsApp. Nós verificamos as denúncias para notificar e autuar conforme a legislação", afirma o secretário de manutenção urbanística de Macapá, Augusto Almeida.

Secretário de Manutenção Urbana, Augusto Almeida - Foto: Thiago Nunes

Recentemente, a prefeitura de Macapá realizou campanhas de conscientização sobre o descarte correto do lixo. Uma de suas ações consiste em colocar propositalmente uma "garrafa pet", com mais de 2 metros de altura, em meio ao trânsito, causando desconforto proposital aos motoristas para alertar sobre os danos causados pelo lixo descartado de forma incorreta.


"Um projeto bem famoso é o 'troca treco'. Nós realizamos durante o 'Macapá Verão' no período de julho das férias escolares. As crianças trocam garrafa pet por brinquedo, cumprindo uma função ambiental e social", conta Augusto Almeida.


O lixo atrapalha diretamente no escoamento natural da água dos canais. É muito comum ver atrasos no trânsito por conta de canais que transbordam. Porém, isto só acontece por conta da interferência humana. "A natureza quando faz a parte dela precisa que a gente ajude, senão ocasiona outros problemas", diz ele.


Limpeza dos Canais

Canal do bairro Beirol após passar por manutenções - Foto: Thiago Nunes

"Limpar canais é como limpar rua", afirma Augusto. A atual gestão da Prefeitura de Macapá é comandada pelo prefeito Clécio Luís. Entre todas as tarefas da administração da cidade, a manutenção dos canais é uma das principais pautas da Prefeitura.

Karol Lamarão, moradora do bairro Beirol, relata que a limpeza do canal ocorre a cada seis meses. "Alguns moradores jogam lixo, mas a maioria colabora com a limpeza. A prefeitura faz o trabalho de manutenção a cada seis meses."


Canal das Pedrinhas


O Estado do Amapá possui algumas especificidades. Além de ter a capital banhada pelo Rio Amazonas, é o Estado amazônico com a floresta mais protegida do Brasil. Fatores que afetam diretamente na urbanização da região, já que as cidades se dividem com a natureza.


Áreas de ressaca e canais são fortes exemplos dessa união. Um problema que deve ser ressaltado é o de habitação, visto que nas últimas décadas houve intenso êxodo rural no Amapá. Principalmente nas cidades de Macapá e Santana, em razão de que muitas pessoas do campo e da Região Nordeste viram na recente Unidade Federativa melhorias de vida. Fato provocado pela criação da Área de Livre Comércio das duas cidades e pela transformação do Território do Amapá em Estado por meio da Constituição Federal de 1988. O canal das Pedrinhas é reflexo do problema de habitação de Macapá. Pessoas moram em área da União.

Canal do bairro Pedrinhas - Foto: Thiago Nunes

Atualmente, a população situada no canal das Pedrinhas avalia com a Justiça Federal o futuro das 3 mil famílias e comerciantes que ali vivem. A ideia é cadastrar todas as pessoas residentes no canal em programas de habitação.


Apesar dos transtornos ambientais causados, o Estado necessita pensar como será resolvido o problema dos comerciantes que têm como fonte de renda o mercado existente por conta do canal. É o que relata Edson França, morador e um dos representantes dos habitantes da região.


“O canal das Pedrinhas é importante economicamente não só para a capital, mas para outras cidades do Amapá. São navios e embarcações que entram e saem constantemente transportando pessoas e mercadorias”, relata.

Canal do bairro Pedrinhas - Foto: Thiago Nunes

Ao redor do Canal há madeireiras, restaurantes, oficinas, açougues, lojas de roupas e uma infinidade de comercialização que depende do canal. “É todo um sistema. Restaurantes, oficinas e madeireiras movimentam a economia do bairro e baseiam-se na movimentação do canal”, finaliza Edson.


Além da área comercial, também se discute o futuro dos moradores. No dia 12 de fevereiro houve uma audiência pública para tratar do assunto. Segundo Edson, a proposta é mover os moradores do canal para um projeto de habitação na Vila dos Oliveiras, situada no bairro Pedrinhas. Já os comerciantes receberam proposta do governo do Estado para uma criação de área industrial também no bairro Pedrinhas.

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