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Lúpus: é necessário conhecer

Atualizado: 13 de Jun de 2019

36% da população mundial não sabe que Lúpus é uma doença sem cura.


Por Thiago Nunes


O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença inflamatória crônica e autoimune (ao invés de criar anticorpos contra agentes estranhos, cria anticorpos contra o próprio núcleo celular), que atinge principalmente mulheres jovens. O seu diagnóstico é complicado, já que os sintomas da doença variam de uma pessoa para outra, porém, pode ser definido de acordo com diagnósticos clínicos laboratoriais. De acordo com o Ministério da Saúde, a incidência de LES no Brasil é em torno de 8,7 casos para 100 mil pessoas por ano.


Jéssica Carlene, 22, acadêmica de jornalismo, é uma das cinco milhões de pessoas no mundo que vivem com a doença. A estudante descobriu em janeiro de 2019 que é portadora do Lúpus. "Inicialmente pensei que fosse chikungunya, dei entrada no Hospital de Emergência, porém a médica pediu exame para Lúpus. Muitos sintomas coincidiam, mas eu não queria acreditar", relata Jéssica.


Ela conta que sentia dores nas articulações, manchas na pele, falta de ar e dor no peito. Atualmente sua doença não está em remissão, mas está sob controle. Ela afirma que já deu início aos tratamentos e conta como está sua rotina. "Minha vida mudou completamente. Antes eu vivia uma vida de exageros, agora minha alimentação mudou. Eu praticava a musculação por estética, agora é por conta da saúde. Alimentação mudou, tudo mudou". O que desencadeou o Lúpus de Jéssica foi a radiação solar, a fotossensibilidade afeta a maioria dos pacientes após exposição excessiva ou até mesmo artificial (lâmpadas). Segundo o médico reumatologista e professor universitário, Alessandro Melo, existem dois tipos de Lúpus, o cutâneo (que afeta principalmente pele, cabelo e articulações) e o sistêmico (que afeta os órgãos internos).


Causas


Alessandro conta que não há uma causa definida para o Lúpus, na verdade o que existe é um conjunto de fatores de condições que predispõem o paciente a desenvolver a doença . "Uma dessas condições bem marcadas é a questão do fator genético, então existe aquele paciente que já nasce com uma condição para desenvolver a doença", conta o médico. Contudo, além da condição genética, o paciente precisa do que é chamado de “gatilho ambiental” para que a doença seja desenvolvida. Ou seja, ninguém nasce com a doença. Alguns dos fatores como exposição a radiação solar ou artificial, medicamentos e infecções por vírus, podem desencadear a doença no paciente predisposto.


Sintomas


A implicação pulmonar ocorre em 50% dos casos, sendo a pleurite a manifestação mais comum. Já a dor nas articulações é o sintoma mais frequente, atingindo mais de 90% dos pacientes. Manifestações cardíacas também são comuns e aparecem em torno de 55% dos casos, a pericardite é a mais frequente. "Os sintomas variam, mas existem os que são mais frequentes, os sintomas gerais são febre baixa, dores articulares, cansaço excessivo, falta de apetite. É o que a gente chama de queda do estado geral. Os sintomas são inespecíficos, às vezes passa como uma virose menos importante", disse Alessandro.



IMAGEM SINTOMAS

Mortalidade


Sobre a taxa de mortalidade, os pacientes com Lúpus possuem chance de morte maior do que a população geral, sendo de 3 a 5 vezes maior. Em pacientes jovens do gênero feminino a taxa de mortalidade pode chegar a ser até 20 vezes maior.

"É importante ter o entendimento de que a doença não é igual para todos os pacientes. Cada paciente desenvolve determinados tipos de anticorpos, logo cada pessoa vai desenvolver manifestações em órgãos específicos.

Alguns vão ter acometimentos no sistema nervoso central, outros no sistema renal, pulmonar. Enfim, cada paciente tem uma nuance diferente", conta.


Tratamento


Alessandro ainda explica que o Lúpus é uma doença sem cura, que se comporta com períodos chamados de exacerbação e remissão, ou seja, não tem comportamento linear. Conta ainda que alguns pacientes, dependendo do tratamento, começam a entrar na fase de remissão e por conta disso os sintomas vão diminuindo, por vezes desaparecem, mas esse paciente jamais será considerado curado. Em determinado momento, por diversos fatores como a hiperestimulação do sistema imunológico, o paciente volta a ativar a doença. O tratamento, assim como os sintomas, varia de um paciente para outro, é o que afirma o médico. Segundo ele, existem drogas que são utilizadas como base de tratamento, principal delas é a hidroxicloroquina, que é um antimalárico usado no tratamento.


Antimaláricos, imunobiológicos, imunossupressores corticoides são comuns na utilização do tratamento do LES.


Recomendações


"O Lúpus possui um fator que é chamado de adesão ao tratamento. Existe o paciente que adere ao tratamento e vive a vida normal e há aquele paciente que se sente um pouco melhor e logo abandona a medicação e não faz as consultas, por conta disso esse paciente vai evoluir mal", diz Alessandro. É importante identificar a doença em seu estágio inicial para que o tratamento seja realizado sem complicações e o paciente seja encaminhado para o atendimento adequado, tendo em vista a medicação de forma adequada para o mantimento da vida.

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