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Em tempos de Inteligência Artificial

Atualizado: 13 de Jun de 2019

Máquinas que fazem ciência, conversam, realizam processamento de texto. Estamos vivendo na era da realidade virtual, dos comandos por voz.


Por José Raimundo Koga


O hábito de conversar com máquinas é cada vez mais natural. A inteligência artificial (A.I) está se tornando um imperativo e empresas de todos os setores exploram os benefícios do uso dessa tecnologia.


Em junho de 2018 foi anunciado no evento Google for Brasil que o nosso país é o terceiro que mais utiliza o Google Assistant, um ajudante virtual capaz de automatizar tarefas diárias do usuário. Além da empresa Google, outras multinacionais como a Amazon e a Apple também acreditam na interação entre homem e máquina.


O desenvolvimento de tecnologias de comando por voz já não é tão exclusivo assim. Diversas empresas de outros setores, como bancos, lojas e operadoras de tv, também tem investido nessa área. Por isso, a A.I pode desempenhar um papel fundamental na comunicação, é o que a professora da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) Cláudia Saar afirma: "as máquinas potencializam a comunicação, especialmente à distância. Elas oferecem mais uma oportunidade."

Alunos criando robô autônomo

Em 1956, Alan Turing, matemático inglês, conhecido como o pai da computação, criou vários conceitos na área de A.I, mas para aplicá-las, faltava processamento. No ano de 1960, alguns programadores conseguiram executar através de comandos simples de voz, ações como segurar uma caneta e movê-la em uma direção específica. A linguagem de programação era aperfeiçoada completamente em números.


Somente em 1997 foi criado um computador com capacidade de processamento para interagir com o homem, o Deep Blue da IBM. E para nossa surpresa, o dito computador venceu Garry Kasparov, o melhor jogador de xadrez de todos os tempos. Mesmo com o avanço o Blue utilizava força mecânica para analisar todas as possibilidades de jogo. Hoje a IBM propõe um processamento assíncrono e descentralizado, ou seja, um sistema mais rápido e preciso.

Alunos de robótica aprendendo a criar máquinas autônomas

Para que serve a inteligência artificial?

Ela é uma realidade. A A.I permite a interação de milhares de pessoas ao mesmo tempo, com respostas de forma rápida e precisa. Não somente isso, é possível compreender o porquê de um político ter ganhado uma eleição e, ainda, podemos até fazer compras sem sair de casa. Tais comandos ocorrem graças ao uso de inteligência artificial. Por exemplo, em Nova Iorque, computadores estão sendo desenvolvidos para compreender textos em grande volume e escala, e o mais importante: tirar conclusões e emitir opiniões. O The Declassification Engine, poderá analisar 4,5 milhões de textos. Algo impossível de ser realizado por uma pessoa.


Medo da inteligência artificial


Realmente, existe a preocupação de especialistas com os resultados dos avanços em A.I, porque muitas pessoas poderão perder seus empregos para as máquinas. Nos Estados Unidos, existem mais de 250 mil robôs que realizam trabalhos que seres humanos costumavam fazer. Esse número está crescendo a cada ano. No Brasil, o crescimento ainda é lento, a substituição do profissional por máquinas é realidade principalmente nos bancos.


“São realizados grandes investimentos em produtos que permitem que o cliente entre em contato com seu banco em qualquer lugar e a qualquer momento”, diz o amapaense José Martins, operador financeiro e correspondente bancário. O desafio do setor é criar soluções úteis para dar comodidade ao cliente. "Não é preciso ficar horas em uma fila de banco, se o cliente pode fazer o procedimento pelo aplicativo ou por ligação telefônica", complementa.

Programação de A.I

Os robôs e programas de A.I nos ameaçam porque são capazes de fazer quase tudo melhor do que a maioria dos humanos, com menos chances de erro, ou de forma mais rápida. Segundo a Universidade de Oxford, nos próximos 20 anos, 35% dos empregos no Reino Unido serão substituídos por inteligência artificial.


As máquinas já mostram sinais de comportamento humano


O que separa os robôs dos humanos é a capacidade de sentir emoções, mentir. Ou pelo menos era. Até especialistas do grupo East Asia, da Microsoft, criarem um robô capaz de interpretar emoções e conversar com pessoas de maneira mais natural, parecida com uma humana.


A Xiaoice é um robô que usa A.I. Ela é capaz de responder com naturalidade chegando a se passar por humana. Ainda pode mentir, sentir vergonha e raiva. Totalmente imprevisível. Por enquanto, essa A.I é um chatbot social, e as pessoas conversam com ela como se estivessem conversando com algum amigo. Porém, seus criadores estão trabalhando para aperfeiçoá-la. Segundo a Microsoft, Xiaoice agora entrou em um ciclo de autoaprendizagem.


Robô inteligente de Gerd Altmann

E por falar em aprendizagem, o estudante de robótica Gustavo de Carvalho, 22 anos, aluno de uma escola particular de Macapá, comenta sobre um evento que aconteceu no Facebook: “Eles tiveram que desabilitar dois dos seus bots (ações autônomas que percorrem na Internet enquanto desempenham algum tipo de tarefa combinada), pois eles estavam desenvolvendo uma linguagem própria, que somente eles entendiam”.


Tudo começou quando o Laboratório de Pesquisa de Inteligência Artificial do Facebook desenvolveu um programa com o objetivo de criar bots que conseguissem negociar trocas. No entanto, em determinado momento, os bots desistiram de falar inglês e começaram a fazer negócio usando uma linguagem própria.


“Nós estudamos para ajudar a resolver problemas comuns da sociedade, queremos usar a tecnologia em nosso favor. Temos que trabalhar com ética acima de tudo e a valorização da vida”, afirma Gustavo.

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