• Tajá

Como o judô muda a vida de quem pratica

Atualizado: 3 de Jun de 2019

Além de cuidar da saúde, a modalidade faz bem para a formação das crianças.


Por Lana Caroline


Mestre André é o único que tem 8 Dan do norte do Brasil - Foto: José Vasconcelos

No mês de abril aconteceu a cerimônia de graduação de um dos importantes mestres do Judô no estado do Amapá, André Matos Santiago (74), mais conhecido como Mestre André. Ele alcançou a graduação de 8° DAN, um dos maiores graus de maestria do judô, feito raro em nível mundial. A cerimônia aconteceu no Villa Nova Shopping, no centro da capital. André conta que sua promoção é mais uma realização em sua vida. “Todo judoca sonha em ser kodansha, que é do sexto Dan pra frente, é a faixa coral, então eu consegui pegar o sexto grau com o apoio da minha incentivadora Ozair Pinho (esposa de André), depois veio sétimo (grau) e fiquei aguardando, depois veio a promoção de oitavo e pra mim foi mais um sonho realizado”.


A prática do judô melhora a saúde física e mental - Foto: José Vasconcelos

Mestre André iniciou no judô em 1965, e durante esses 54 anos dentro da modalidade, ele se tornou árbitro internacional de judô, professor e assessor técnico da seleção brasileira. Com seu aprendizado, foi viajando o Brasil e o mundo com o judô. “No Paraguai eu fiz um curso internacional de árbitro, aí comecei a viajar com a Confederação [Brasileira de Judô] e assim conheci o Brasil todo e o mundo quase todo”.

Arlindo Tavares (à direita) que desde criança é apaixonado pela modalidade - Foto: José Vasconcelos

Um dos alunos mais antigos de Mestre André, Arlindo Tavares (54), treina desde os seus 12 anos e se dedica bastante no esporte. Aos 18 anos saiu de sua terra natal, Macapá, para ir ao Pará estudar, porém nunca deixou sua paixão pelo judô de lado, se tornando então professor da modalidade. Durante toda sua trajetória acumulou vários títulos. “Fui campeão amapaense, da Amazônia, campeão brasileiro da Zona Norte, por 4 anos consecutivos fui campeão paraense estudantil, fui campeão paraense como professor e dei aula em Belém durante 6 anos e sou professor aqui da academia Judô Clube do Amapá”, afirma.

Segundo Arlindo, o judô foi muito eficaz para sua vida, o que fez se tornar uma pessoa melhor a cada dia. “[O judô] fez com que nós nos tornássemos cada vez mais cidadãos, ter respeito mútuo entre as outras pessoas através da filosofia do próprio judô”.


No estado do Amapá, o judô é um esporte que tem muitos bons alunos, porém tem suas dificuldades, o presidente da Federação Amapaense de Judô, Adriano Lins (37), afirma que a falta de patrocínio é o maior problema: “ a nossa federação precisa de estrutura para dar um suporte melhor para nossos alunos, ter um acompanhamento nutricional, fisioterapeuta e físico. E a gente está resolvendo isso sem apoio nenhum. Principalmente com as competições fora que serviriam para melhorar o nível técnico de cada atleta.”


MAIS AFINAL, O QUE É O JUDÔ?


Mestre e criador do judô Jigoro Kano (Reprodução/internet)

O judô significa “caminho suave” em japonês. O esporte é um estilo de arte marcial de origem japonesa fundada em 1882 por Jigoro Kano. Ao criar esta arte marcial, Jigoro objetivava técnicas de defesa pessoal e o desenvolvimento do físico, espiritual e mental. No Brasil, a arte marcial chegou em 1992, período em que ocorreu a imigração japonesa.


A prática do judô é em tatames e cada luta dura em média 4 minutos, e vence aquele que der Ippon primeiro. Algumas das pontuações do judô são o Ippon e o Wazari. O Ippon é a pontuação completa do judô, e só é conquistado quando um dos judocas consegue derrubar o adversário, imobilizando-o com as costas ou ombros no chão durante 30 segundos. Quando o ippon é efetivado, o combate se encerra.


Já o Wazari é um ippon que aplicado de forma incompleta, ou seja, o adversário cai sem ficar com os dois ombros no tatame, valendo então meio ponto. O Yuko, que valia um terço de ponto no judô, foi extinto pela Federação Internacional de Judô (FIJ) em 2017. Se até o final dos 4 minutos não for possível o golpe final, o vencedor será aquele que tiver mais vantagens.

Sistema de faixas do judô (reprodução/internet)

Antes da implantação do sistema de faixas coloridas no Judô, os alunos eram normalmente graduados com certificados escritos pelos próprios professores garantindo, assim, que eles possuíam certo nível de aprendizado. Então em 1883, Jigoro Kano fez a primeira divisão em seus alunos, dividindo-os então em Mudansha, que são alunos não graduados, e Yodansha, que são alunos graduados. Os mudanshas têm suas graduações divididas em kyus, que são níveis de habilidades como duração de tempo de treino, idade, caráter moral entre outros e os yodanshas tem sua graduação dividida em Dans, que são os graus de maestria.


O sistema de faixas coloridas foi criado na Europa e exportado para o mundo e para outras artes marciais, já que no Japão a faixa branca era utilizada por todos os níveis de kyus e a faixa preta para os yodanshas.


No quimono, espécie de roupão que os judocas usam, são amarradas as faixas coloridas de acordo com seu nível de habilidade, são elas (do menor para o maior nível): branca, cinza, azul, amarela, laranja, verde, roxa, marrom. Quando o judoca é yodansha, usa a faixa preta do 1º ao 5º Dan. Já a faixa Vermelha e Branca, se usa do 6º ao 8º Dan. E por último, a faixa vermelha é usada quando se atinge o 9º e o 10º Dan.

O judô é bom pra nossa saúde?

A modalidade é recomendada para a formação de crianças e jovens - Foto: José Vasconcelos

Para ter uma ideia da importância dessa arte marcial, que é também um esporte olímpico, ela foi classificada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a Educação, Ciência e Cultura, como a melhor atividade esportiva para formação inicial de crianças e jovens entre quatro e 21 anos.


Segundo o professor de Educação Física, Renato dos Santos (29), a prática do judô contribui para a melhora constante da saúde. “Se tratando do judô os benefícios são inúmeros, como a coordenação motora, o equilíbrio, trabalho força e musculação, respiração, habilidade e raciocínio.” E ainda ressalta: “o judô proporciona também a melhora da saúde mental, já que é uma arte que exige respeito entre seus oponentes.”


Falando em saúde mental, é importante compartilhar que o esporte tem um papel importante.


Segundo a psicóloga, atleta e também especialista na área, Camila Salustiano, em um artigo produzido para site de atendimentos psicológicos Zenklub, o psicólogo precisa conhecer os atletas para avaliá-los. “O psicólogo esportivo busca conhecer individualmente cada atleta e, a partir da observação do seu comportamento naquele ambiente, antes, durante e depois da prática, há uma avaliação sobre seu desempenho e, em conjunto com o atleta, estudamos quais ferramentas e habilidades serão mais importantes para trabalharmos e assim melhorarmos o seu rendimento.”


Como psicóloga, Camila ainda enfatiza que a meta do psicólogo dentro do esporte é ajudar o atleta mentalmente para que ele melhore também fisicamente. “Antes de ter como objetivo a melhora no rendimento esportivo, o foco principal do psicólogo do esporte é a melhora da consciência do indivíduo sobre si mesmo. Expandir suas capacidades, habilidades e disciplina, o que vai influenciar diretamente o rendimento esportivo.”


Neste mesmo sentido, a psicóloga radicada no Amapá Karla Gabriela Santos (24), argumenta que: “o esporte e as atividades físicas de maneira geral liberam substâncias no nosso cérebro, como a endorfina, algo que desperta uma sensação de bem estar. A prática de esporte é, portanto, uma maneira acessível e rápida de melhorar o humor. Além disso, todo esporte ajuda no desenvolvimento de processos cognitivos, como a memória e concentração. São grandes auxiliares no desenvolvimento da autoestima, regulação do sono e controle de ansiedade. Se não levados ao limite, só tendem a trazer benefícios.”

0 visualização