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Casa do Artesão estimula trabalho e vendas de artesanatos em Macapá

Atualizado: 11 de Jun de 2019

Os artesãos cadastrados tem seus produtos expostos e comercializados no local. Por Deise Silva


A Casa do Artesão é o maior centro de comercialização de artesanato do Amapá. O espaço tem como objetivo enaltecer a produção feita por artistas municipais e com isso promover a venda dos objetos. Dessa forma, grandes benefícios são direcionados para a economia do Estado e muitos empregos são gerados.

Casa do Artesão: Maior Centro de Artesanato Amapaense. Foto: Deise Silva

O artesão e o trabalhador manual são acompanhados pela coordenadoria da Casa do Artesanato, não somente os cadastrados, mas os de outros polos também. Essa assistência tem como intuito incentivar o trabalho desenvolvido por essas pessoas, buscando conhecer suas técnicas e de que forma sua produção está sendo escoada. Além disso, apresentam ao microempreendedor novas formas de especialização através das feiras estaduais de capacitação.

Espaço onde as peças são expostas e vendidas. Foto: Deise Silva

Os trabalhos realizados pelos artesãos são repletos de Cultura, Arte e História. As confecções das peças são feitas com matéria prima como: Manganês, Madeira, sementes, cerâmica e minérios. O artista destina seus artesanatos para a casa do artesão semanalmente ou de acordo com a demanda. Sendo que as produções mais assíduas são dos municípios como Mazagão, Calçoene, Santana, Laranjal do Jari e Aldeias do Tumucumaque.


Segundo o Gestor do Centro de Artesanato, Junielson Pereira, o local contém cerca de 20 a 30 mil acessórios que passam por reposições constantes. A rentabilidade anual do espaço gira em torno de 600 a 800 mil reais que são voltados para os artesãos.


Junielson também explica que todo material passa por uma triagem, em que é possível identificar os elementos que foram utilizados nas obras, assim tornando-se mais fácil a classificação de cada indivíduo como trabalhador manual ou artesão: "O gerente de consignação é treinado para verificar se a peça é um produto de matéria-prima natural ou industrializada, então é possível separar os insumos de acordo com sua categoria. Temos diversas alternativas para fazer esse reconhecimento", afirma.

Colares produzidos com caroço de açaí. Foto: Deise Silva

Os artistas que se interessarem na venda dos seus produtos pela Casa do Artesão precisam seguir alguns requisitos essenciais antes de serem aprovados. É necessário ser reconhecido como artesão ou trabalhador manual, apresentar carteira de identidade, CPF, comprovante de residência e passar por um teste de habilidade. O exame de aptidão é uma medida de segurança utilizada para que as peças não sejam terceirizadas, o profissional precisa fazer sua obra de forma presencial na coordenadoria, comprovando assim que as artes são elaboradas por ele.


A Casa do Artesão é um dos maiores pontos turísticos de Macapá e foi inaugurada pelo Governo Do Estado no dia 30 de dezembro de 2005. O comércio realizado no local é um dos maiores estimuladores da arte artesã e recebe pessoas do mundo todo. Para que as vendas ocorram de forma frenética é imprescindível haver uma boa organização e que cada objeto tenha uma atenção especial, contendo as informações fundamentais, como explica o auxiliar administrativo Iran Castro: " Quando as peças chegam é necessário fazer todo um mapeamento. Cada material a venda contém em sua etiqueta o nome do artesão que produziu ou o nome da sua etnia quando é indígena". 

Escultura retratando a cultura indígena. Foto: Deise Silva

A maioria dos turistas que o Centro de Artesanato atende provém da Guiana Francesa ou do nordeste do Brasil, no entanto visitantes de outras nacionalidades ou de cidades brasileiras também marcam presença para conhecer mais desse trabalho. A estudante do Curso de Secretariado Executivo, Erica Santana, é uma dessas pessoas. Ela conta que veio de Belém do Pará e que nunca tinha entrado na Casa do Artesão: "Estou achando tudo superinteressante, dá pra analisar bem as esculturas e com certeza requer muita paciência pra fazer".


A Secretaria de Estado de Trabalho e Empreendedorismo (Sete), instalou dois anexos de vendas artesanais em pontos estratégicos para movimentar os lucros e evidenciar a cultura amapaense. As vitrines estão localizadas no Museu Sacaca, monumento Marco Zero do Equador e no Aeroporto Internacional de Macapá Alberto Alcolumbre. Os produtos retratam religiosidade, natureza, mitologias e outros assuntos.


O artesanato como ferramenta de trabalho

Artesã Carlita Figueiredo comercializando seus produtos. Foto: Deise Silva

A artesã Carlita Figueiredo da Costa, de 62 anos, trabalha e vive do artesanato a cerca de 22 anos. Ela conta que aprendeu a produzir as peças por curiosidade e a partir disso nunca mais parou. Desde muito cedo a artista buscou se profissionalizar para atender o gosto da clientela e com o passar do tempo o artesanato lhe trouxe grandes retornos. Mas ela afirma que nem todo mundo conseguiria sobreviver apenas com o lucro dos objetos e que para continuar nesse ramo é necessário ter algo a mais, uma pitada de amor:

“Para fazer artesanato você tem que gostar do que faz”

A profissional diz que todas as noites monta sua barraca na praça e que suas obras também ficam expostas na Casa do Artesão, ocasionando vendas mais rápidas. Para a produtora, o Centro de Comercialização Artesanal tem uma grande influência por ser bastante procurado por turistas, sendo um ponto positivo que ajuda muito na sua renda mensal.

O artesanato permitiu que Dona Carlita conseguisse abrir duas lojas no Centro da Cidade e ela afirma que as peças vendidas na Casa do Artesão fazem com que seu lucro chegue a 1.000 reais de forma mensal. Sempre buscando qualidade em seus serviços, descreve que sua especialidade é biojoias e que vende bastante colares.

Galeria: mestres e artesãos do Amapá


A Casa do Artesão expôs em uma de suas áreas, uma homenagem aos artesãos pioneiros no Amapá. A galeria apresenta fotos e histórias dos artistas que foram e são essenciais para a produção do artesanato local, contando de forma breve como suas contribuições merecem ser registradas e homenageadas. Nomes como Miriam Hosana de Oliveira, Rosângela Nascimento Costa Da Silva, Moacir Marques dos Santos, Eleni Lima de Moraes e Pedro Romualdo Pereira, foram agraciados com tamanho tributo.

Cada ajuda e produto desenvolvido por eles foi tarefa primordial para a continuação da história do artesanato e merecem papel de destaque assim como outros grandes nomes.


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