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Calouro do curso de Ciência da computação desenvolve aplicativo, por meio da pesquisa científica

Atualizado: 6 de Jul de 2019

Por Marina Guedes


Passarelas posicionadas pelo campus mesclado de matagal e concreto direcionam para os blocos com salas de aula. Seu olhar procurava em volta alguma placa que sinalizasse o lugar desejado. Leticia Amorim, 20, acadêmica de Jornalismo, em seu primeiro ano de graduação, não conhecia a maioria dos setores da universidade. Ela planejava encontrar uma amiga no bloco do curso de Arquitetura e Urbanismo, próximo ao restaurante universitário, procurava compartimentos externamente grafitados, característicos do bloco.


Foto disponibilizada pela acadêmica Letícia Amorim durante a Semana do Calouro. Março de 2018.

A Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), campus Zerão, localizada na rodovia Juscelino Kubitschek, km 02, no bairro Jardim Marco Zero, abrange uma área ampla com departamentos administrativos e dos cursos de graduação. Letícia reconhecia a rota que a levaria para o local desejado dentro da universidade, mas não sabia se estava na direção certa. O que mais tarde ocasionou seu desespero por perceber que se encontrava em outro lugar o qual não havia frequentado antes.


Perdida, refez os passos do trajeto, não andando pelas passarelas desta vez, e, após os minutos passarem em seu relógio, foi em direção ao restaurante universitário - um dos lugares mais frequentados atualmente pela acadêmica, que foi apresentado durante a Semana do Calouro da turma 2018. 1 de Jornalismo.


Nos dias de hoje, a acadêmica revela que ainda não conhece todos os pontos da universidade. Este fato se deu após uma moça pedir para a acadêmica informá-la onde ficava um suposto bloco “E”. Letícia corou, não fazia ideia de que local a moça estava falando, e respondeu que não sabia. Ela sentiu a agonia da moça no momento, pois revelou que precisava ir a esse local para realizar a prova. A moça prosseguiu em busca da informação com outra pessoa mais próxima e Letícia, preocupada, viu a necessidade de saber a localização exata para indicar à moça.


Os primeiros passos para o projeto


Foto do rascunho do projeto.

Alujohn Soares,27, calouro em Ciência da Computação, formado em Gestão em Tecnologia da informação, em uma das aulas da disciplina “Metodologia da pesquisa e do trabalho científico”, precisou identificar um problema e elaborar uma solução.


A questão levantada pelo acadêmico foi que os calouros e visitantes do campus tinham dificuldades em encontrar lugares dentro da universidade, isso em razão de muitos não conhecerem determinados locais. Essa problemática também foi vivenciada pelo acadêmico, já que o mesmo não conhece muitos setores da universidade.


O aluno relata que havia frequentado duas festas realizadas na universidade, mas não foi o suficiente para que ele conhecesse o campus. Em março de 2019, o rapaz se tornou calouro em Ciência da Computação. A escolha do curso se deu por ter então a formação em Gestão da Tecnologia da Informação - graduação mais próxima das características do curso de Ciência da Computação -, pretendendo prosseguir na área como programador sênior.


No seu primeiro dia de aula, Alujohn havia se deparado com um banner que estampava o suposto mapa da universidade, porém o acadêmico não conseguia identificar o seu bloco. Saiu pelas passarelas da universidade perguntado para as pessoas onde ficava o bloco de exatas e não obteve respostas. Então ele deduziu a aparência de seu bloco para localizá-lo.


Em 2016, Alujohn trabalhava em uma empresa que vendia materiais de casa e construção. Certo dia, rolando as páginas da web, ele havia sido marcado em uma publicação no facebook sobre a inauguração do prédio dos cursos de Engenharia Elétrica e Ciência da Computação. As cores azul, amarelo e branco do prédio eram parecidas com uma das lojas da empresa. Esse fato o ajudou a identificar o bloco, o Departamento de Ciência da Computação e Engenharia Elétrica (DCET). Ainda com o auxílio do banner “informativo” que havia se deparado na entrada da universidade, Alujohn caminhou pelas passarelas enquanto visualizava as cores de cada bloco que encontrava em seu caminho, até então chegar onde queria - no DCET.


Alguns dias haviam se passado, Alujohn já reconhecia o trajeto até o DCET e assim que chegava na universidade para frequentar sua aula, ele não via mais o banner com o mapa da universidade pendurado na entrada, porque o mapa se encontrava no lixo.


Nos primeiros momentos da disciplina “Metodologia da pesquisa e do trabalho científico”, a professora Patrícia Araoli introduziu para seus alunos da 2019.1 de Ciência da Computação como encontrar um objeto de estudo. Segundo ela, seria necessário identificar um problema e, geralmente, trata-se de uma inquietude.


Alujohn, imediatamente, associou a situação que enfrentou ao chegar na universidade e colocou-se a disposição de encontrar uma solução. A alternativa que pareceu viável, promovendo um benefício social, foi o projeto de um mapa interativo da universidade.


Os objetivos do projeto de pesquisa é mapear os pontos da universidade, identificando os locais e avaliar os benefícios do mapa para as pessoas. Inicialmente, o projeto teria como base a pesquisa científica, em que o aluno vai se basear em artigos científicos para construir o seu projeto, procedendo-se através da coleta de dados, feita por formulários online ou entrevistas com os discentes. Após esse levantamento de dados, ele poderá dar início na criação do aplicativo e, então, analisar o desempenho dos benefícios promovidos aos discentes.


A professora Patrícia afirma que a pesquisa científica deste projeto pretende entender a situação e, posteriormente, propor uma solução tecnológica.


Foto disponibilizada pela professora Patrícia Araoli durante o evento “Onde ela quiser”. Março de 2019

"Eu sempre falo em sala que muitas vezes se confunde 'solução tecnológica' com 'pesquisa científica', porque a solução tecnológica em si a gente não pode dizer que é algo científico. A proposta tecnológica de um aplicativo em si a gente não pode dizer que é científico. Mas, claro, a gente pode propor uma solução tecnológica para um problema que foi levantado. E é aí que está guiado este projeto e outros projetos que também propõem soluções na disciplina", esclarece a professora.


À vista disso, após Alujohn perguntar aos discentes o que eles achavam da ideia do aplicativo, muitos sugeriram, além de identificar no mapa os setores e blocos da universidade, que ele colocasse no mapa onde poderiam ser encontrados bebedouros e banheiros. Então, o acadêmico, baseando-se em um artigo que cria um mapa de localização e demarcação de área, começou a planejar a parte funcional do projeto.


O aplicativo funcionaria da seguinte forma: seria apresentado o mapa da universidade, mostrando a localização do usuário que dirá onde o mesmo está e poderá selecionar um local o qual deseja ir; assim o aplicativo mostrará um determinado trajeto até a área desejada, explicando onde está sobre cada ponto do campus. O aplicativo mapearia toda a universidade, não necessitaria teoricamente de internet, apenas o GPS do aparelho.


O UNIMAP, como o acadêmico quis provisoriamente chamá-lo, ajudaria muitas pessoas na universidade. Como João Paulo, calouro de Jornalismo, que não conhece muito bem o campus. João Paulo não conhece alguns pontos da universidade, a não ser os blocos onde seus amigos estudam - como o de biologia, história ou enfermagem. Mas, o calouro afirma que se precisar ir sozinho até esses locais, é provável que não saberia a direção.


"Mas acho que isso se deve ao fato de eu não andar muito pelo campus, e os lugares que eu conheço são os que ficam mais próximos da entrada", afirma João Paulo.

Segundo Patrícia, professora de Alujohn, a ciência tem o papel de gerar o conhecimento, o ensino e a prática da pesquisa científica é de extrema importância, pois vai além dos muros da universidade.


O projeto do aplicativo está em desenvolvimento e, se bem-sucedido, pretende-se ser aplicado no campus.

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