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Brechós ganham espaço no Amapá

Atualizado: 1 de Mai de 2019

Os brechós e bazares online se popularizam e ganham força em Macapá.

Por Ana Paula Vilhena


O consumo de peças geralmente usadas, de brechós e bazares existem no mundo todo e, no município de Macapá, estão presentes, não somente em feiras e praças, mas também em redes sociais como o Instagram.

Essa forma de consumo está, cada vez mais conquistando seu espaço e caindo no gosto popular. Tanto para quem compra, como para quem vende.

Sarah Aranha, artesã, escritora, professora de Inglês e que também administra um brechó em Macapá, retrata a importância dos bazares e como ingressou nesse meio e seu gosto por moda. “Comecei a consumir e vender peças novas e semi-novas em um momento em que estava desempregada, e vi através de bazares uma oportunidade de conseguir uma renda para ajudar pagar minhas dívidas", explicou.

“Vejo o brechó como um desapego, é saber passar adiante o que já te fez feliz por um período de tempo, e saber fazer outra pessoa feliz com o seu desapego”
Sarah Aranha dona do Brechó Aranhah. Foto: Ana Paula Vilhena

"As primeiras peças que pus a venda foram do meu acervo pessoal que já não usava mais. Hoje, vejo o brechó como um desapego, é saber passar adiante o que já te fez feliz por um período de tempo, e saber fazer outra pessoa feliz com o seu desapego”.

Ela ainda diz que em seu brechó vende de tudo e recebe pessoas com diferentes ideias e estilos, e que o consumo de roupas usadas e recicladas é considerado grande em Macapá, principalmente por jovens, o que mostra que se utilizar desse tipo de produto está em alta em locais dentro da cidade.

Brechó das Manas na praça Floriano Peixoto. Foto: Ana Paula Vilhena

Os amapaenses estão realmente colocando isso em prática, desapegando. Os bazares amapaenses, como o Brechó das Mana, que estão movimentando as praças locais, se fazendo presentes em eventos, construindo personalidades e claro, fazendo parte do luxo passado. Também ajudam muitos autônomos, como ambulantes, artesãos, músicos, que sobrevivem de rendas extras. Sem esquecer do entretenimento que levam para espaços alternativos

Calçados com preço de banana. Foto: Ana Paula Vilhena

E para quem é consumidor dessas peças de segunda mão, falam como é garimpar e encontrar seu estilo montando looks por um "preço de banana".


O garimpo deixa o brechó divertido,. Foto: Ana Paula Vilhena
“Passei por um processo de desconstrução para hoje eu poder vestir o que gosto e me sentir bem comigo mesma"

Lorrana Assunção, Pedagoga e mestrando em Educação, fala como é sua experiência como consumidora de brechós. “A moda para mim é saber se expressar todos os dias nos espaços em qual atuamos. Passei por um processo de desconstrução para hoje eu poder vestir o que gosto e me sentir bem comigo mesma. Antes de fazer isso, eu costumava usar roupas lisas, que escondiam minhas curvas, roupas largas, neutras, ditas formais pela sociedade. Após começar a me questionar se gostava mesmo dessas roupas, ou se me valorizavam, resolvi experimentar outros estilos e me identificando com roupas mais alternativas, com estampas, cores vivas e afins.


Lorrana e Sarah vestidas com peças de brechó. Foto: Ana Paula Vilhena

Comprei a primeira vez em um brechó através de uma amiga que me levou para conhecer esse mundo. Acabei gostando do que via, e principalmente pelo preço acessível, que me fez repaginar meu guarda roupa com looks de segunda mão. Ainda consumo roupas de lojas, mas, hoje, entendo a importante que tem esses brechós de feiras.”

Lorrana Assunção e Sarah Aranha mostrando meus estilos alternativos.Foto: Ana Paula Vilhena

Mas consumir roupas de brechó vai muito além de simplesmente ser preço de banana ou mesmo comprar uma roupa exclusiva, que talvez não seja mais produzida, ou podendo ser de outro país. Comprar roupas de segunda mão ajuda amenizar danos causados ao meio ambiente por indústrias Fast Fashion, que são compostas por uma produção rápida, muitas vezes sem qualidade, podendo descosturar fácil, com durabilidade mínima, sendo descartadas rapidamente.


O que é “Moda Sustentável”?

Quando falamos de moda, falamos também de comunicação. A moda está relacionada ao comportamento, consumo, estilo e também a como nos mostramos ao mundo. Através das roupas, sapatos, acessórios, cabelos, um mix de cores e texturas se colidindo expressando algo, é comunicação, é visual. Emoções, sentimentos e ideais são misturados, e assim transmitidos formando um look ou ilustração. E quando esses elementos são de segunda mão, como roupas de brechó, ganham outras utilizações, uma nova roupagem significando o que era luxo séculos passados.  

Estilos encontrados em brechós. Foto: Ana Paula Vilhena

O luxo, antigamente, valorizava a qualidade e durabilidade de um produto, se tornava luxuoso quando possuía características únicas, com riscos, manchas, customizações.  Atualmente valorizar a experiência que temos com esse produto também é importante. Isso se espelha com o movimento Slow Fashion, que valoriza a qualidade dos tecidos de roupas e afins, a durabilidade de materiais, o consumo lento onde é valorizado a mão de obra sem agredir o meio ambiente.

A Moda é, afinal, um sistema que engloba os poderosos veículos de comunicação, tocam todas as pessoas do planeta, movimentando grande parte da economia mundial. A moda é versátil, muda de acordo com as estações e mais que isso é o reflexo social, pois contam histórias, fatos que mudaram o mundo, que marcaram tempos. Por séculos, a moda foi utilizada como instrumento de distinção socioeconômico. De grandessíssimas linhas usava os nobres, autarquias, burgueses, vanguardistas e mesmo os hippies. Os conceitos de perfis de grupos e de distinções de outros grupos continua ainda atualmente.

Claudia Soria, professora de Comunicação Social e doutoranda em Comunicação. Reforça dizendo que os brechós também são meios que movimentam a economia, uma vez que o Slogan “Menos é mais” ganha uma nova dimensão falando sobre utilizar melhor o que tem, as combinações que podem ser feitas por uma peça básica, sabendo transformar uma roupa em várias, ganha uma elegância, uma reutilização. Ajuda o meio ambiente, pois uma peça de tecido demora séculos para se desfazer. O próprio algodão demora muito. Tudo isso é uma forma de valorização dos meios de segunda mão. Moda é mais do que ser fútil e combinações, a gente também entende o outro como um ser. Nas roupas que a gente desenha, a gente quer sempre mostrar para o outro algum significado.  



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