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Biovasos produzidos com caroço de açaí

Atualizado: 29 de Mai de 2019

Produção de biovasos com caroços de açaí participa de feira internacional e fica em segundo lugar na sua categoria


Por Brenda Santana


O projeto “Bio Vaso”, reaproveitamento de resíduos de biomassa de euterpe orelacea para produção de vasos ecológicos, surgiu a partir de uma observação da estudante Aira Beatriz de Souza sobre a maneira de descarte de caroços de açaí de maneira irregular no estado do Amapá. Assim sendo, a jovem buscou soluções para tal problema. Após diversas pesquisas, Aira encontrou um projeto italiano que chamou a sua atenção: tratava-se de um projeto de embalagem de compósito a partir da borra com café desenvolvido por uma designer, então Aira pensou em transformar também o caroço do açaí em uma espécie de compósito, chegando ao modelo de vaso após 6 meses de testes, quando veio a fase de comprovação.


Estágios de transformação do caroço de açaí

Segundo Aira, para participar das feiras de ciências e tecnologias com o projeto Bio Vaso seria necessário submeter o compósito à análise. Ao submetê-lo, foi comprovado que não oferece nenhum tipo de risco e ainda auxilia no desenvolvimento das plantas.


A pesquisa foi estendida para protótipos feitos de caroços de açaí. Teve uma boa aceitação com plantas, evita envelopamento de raízes, além de ser substituto para as embalagens de plástico.

O projeto é contínuo, principalmente após Aira descobrir o grande potencial para o manejo de orquídeas. Desta maneira, foram feitos os tubetes os quais são a segunda fase do projeto e que se encontram em etapa de pesquisa.

O biovaso nas feiras de ciências e tecnologia

Aira Beatriz, Danielle e Valda equipe que fez o projeto Bio Vaso conquistar espaço nas feiras

A estudante conta que uma das maiores dificuldades foi a construção do projeto escrito, pois ela não tinha noção da escrita científica. “Os jovens só vêm a ter um contato maior com a escrita científica na faculdade”, disse Aira. Além de críticas recebidas por ela ser jovem demais, muitas pessoas duvidaram de sua capacidade de desenvolver o projeto.


Aira participou de diversas feiras de ciências, não somente com o projeto Bio Vaso, mas também com outros projetos que ela desenvolve. Participou da Feira de Ciências e Engenharia do Estado do Amapá (FECEAP), submeteu o artigo para a Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (MOSTRATEC); Feira Brasileira de Ciência e Engenharia (FEBRACE); Milset – Expo-Sciences International; Ifest – Festival Internacional de Engenharia ciência e Tecnologia, e a International Conference of Young Scientists (ICYS).


Credenciais e medalhas

Medalhas conquistadas por Aira Beatriz com o projeto Bio Vaso

Desde 2015, quando Aira conquistou o primeiro lugar da FECEAP, o projeto vem conquistando prêmios e credenciais, além de convites para conferências. Em 2016 o prêmio destaque em sustentabilidade da Feira de Ciências e Engenharia (FEBRACE); primeiro lugar na área de biologia na FECEAP, ganhou também o prêmio de honra ao mérito, destaque em sustentabilidade; primeiro lugar em sustentabilidade na FEBRACE; segundo lugar na Copa Science, realizada no México em 2017; primeiro lugar em gerenciamento de meio ambiente na MOSTRATEC em 2018; destaque em sustentabilidade na International Conference of Young Scientists e o prêmio destaque por delegação no ESI AMLAT – MILSET.

Participação da EMBRAPA


Aira precisou da ajuda da Embrapa para que houvesse uma análise do projeto, e então expor o projeto no México. Dessa forma, a Embrapa disponibilizou laboratórios para que fossem feitas as análises. A estudante também contou com o apoio do diretor interino da Embrapa, “padrinho” do projeto, para custear várias das viagens por falta de apoio do poder público. “Uma das viagens que eu fiquei desesperada foi a viagem ao Chile, pois não consegui o valor necessário, então o diretor interino se juntou com os amigos e funcionários da Embrapa e conseguiu abater o valor necessário para que eu fosse”, relatou Aira.


Danielle de Brito e o Instituto Leva Ciência


“O Instituto leva ciência surgiu a partir da história da Aira, pois a partir dela percebemos muitos jovens com o mesmo problema que ela tinha com falta de orientadores preparados", disse Danielle Alessandra a falar do Instituto que orienta jovens cientistas.


Segundo Aira, Danielle orientou a construção do projeto e da escrita científica, que assumiu a responsabilidade com a estudante a partir do projeto lixeira sustentável, orientando até hoje em seus projetos. “A Danielle entrou para me orientar no projeto após eu ter passado por outros quatro orientadores, pois eles não conseguiram me acompanhar da maneira que eu precisava para continuar com o projeto”, disse Aira.

Professora Valda Nascimento

Cultivo de orquídeas com o caroço de açaí em estado bruto

Em função de seu vasto conhecimento, a professora Valda colaborou com Aira em relação às plantas, pois a jovem precisava da orientação de alguém que conhecesse as espécies. Por Valda ser especialista em educação ambiental, mas também ter se apaixonado pelo projeto e a força de vontade que Aira tinha na produção científica, sobretudo em demonstrar sua pesquisa, a professora foi convidada a participar e desde então ela colabora diretamente com o projeto.


IFEST – Festival Internacional de Engenharia, Ciência e Tecnologia


No Festival Internacional de Engenharia, Ciências e Tecnologia que aconteceu na Tunísia em fevereiro de 2019, Aira conquistou o segundo lugar, de sua categoria, com o projeto Bio Vaso.

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