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Batalha da Bandeira: movimento cultural urbano dá voz e espaço para novos talentos no Amapá

Atualizado: 25 de Abr de 2019

Por Gabriela Vasconcelos


Através de rimas poéticas, o rap amapaense vem sendo a resistência que questiona as desigualdades sociais e relata sociabilidades.


O rap é uma cultura forte em várias regiões do Brasil, em Macapá não é diferente. Com grupos de músicas que retratam a realidade das comunidades que são esquecidas pelo poder público, o rap veio para dar voz e reivindicar os direitos das classes vistas com repúdio. As letras relatam histórias de quem vive realidades bem difíceis e, na maioria das vezes, sofrem discriminação pela sociedade. As canções poéticas colocam uma pitada de identidade nortista tucuju, nesse gênero musical tão americanizado.

Foto: Arquivo Público

Em Macapá, frequentemente há eventos onde esses grupos musicais se apresentam. Apesar da frequência de atividades que ocorrem no estado, há um tempo não havia tantos espaços para duelos de cantores que improvisam rimas em público. Vendo essa carência no movimento, os MC’S Super Shock, Mc Doido, Mc Zion e Mc Cabreiro, que vivem em Macapá, depois de uma troca de ideias pelas noites da cidade, decidiram criar um espaço para duelos de MC’S. Visando um crescimento futuro, batizaram o evento de “Batalha da Bandeira”, em 2014. Hoje, os encontros desses artistas já somam quatro anos de puro rap. O que eles não imaginavam, era que esse evento se tornaria parte da identidade urbana de Macapá, e também seria o eixo central de várias outras batalhas que acontecem pela cidade, como Congós, Unifap, Milharal, Zerão e Santana, que revelou vários talentos.


A Batalha da Bandeira tem uma base de funcionamento e regras a seguir durante o duelo. Segundo um dos organizadores do evento, Mc Zion, “é proibido citações de terceiros, e rimas com conteúdos racistas, homofóbicos, machistas e misóginos”. Os duelos são tradicionais, funcionando da seguinte forma: 45 segundos para cada Mc e em caso de empate, nos dois primeiros rounds, acontece o “quatro por quatro”, que é quando cada participante tem quatro versos para desempatar o confronto.

A tradicional Batalha da bandeira promove seleções estaduais durante todo o ano, as quais os ganhadores se enfrentaram em uma competição final para escolher os melhores MC’S que vão representar o estado em outras cidades do Brasil. O financiamento das viagens é autônomo, feito pelo próprio participante com vendas de comida nos eventos em que participa.


Muitos talentos que foram revelados durante esses confrontos de rimas entraram para o ramo profissional. Foi o caso de Ayala Pantoja, o artista diz que depois que começou a participar, não parou mais. Hoje, é um nome conhecido entre os MC'S, têm seus trabalhos autorais que podem ser encontrados no canal S.O.S A BANCA, no YouTube. “Eu sempre rimei desde pequeno. Eu soube que existia uma batalha da Bandeira mas meu primeiro rolê foi em um evento que estava na responsabilidade do Mc Doido”, relembra Ayala.

Assim como ele, Luís Santos (Mc Zion), Carlos Washington Oliveira Cosme (Mc Super Shock), também possuem trabalhos autorais disponíveis em plataformas digitais.


Mc Super Shock

Uma das crias da batalha da Bandeira é o cantor e compositor Mc Super Shock, que começou a ter contato com o rap no ano de 2007, aos 12 anos. Quando menino foi se apaixonando pelo gênero musical. Mas enfatiza que Marcelo D2 foi sua referência na época, depois disso, passou a estudar e se aprofundar no estilo. “Graças ao meu vizinho eu conheci o rap, gostei muito de Marcelo D2 e fui me aprofundando no assunto”, afirma.

Super Shock iniciou criando rimas e improviso. Em 2012, com 17 anos, começou a cantar, e em 2014 entrou para os confrontos de MC’S. Hoje, aos 23 anos, procura externar seu trabalho com a divulgação de conteúdos musicais, utilizando, principalmente, um projeto no YouTube chamado O corre.



O projeto foi pensado pelo amigo e sócio, Djonathan Vinícius, que o convidou para participar e ele abraçou a ideia. Os dois criaram o canal e hoje, com 1932 inscritos, além de ser um trabalho profissional, também tem um papel social que busca incentivar artistas amapaenses que não possuem condições financeiras, auxiliando e dando suporte com produções audiovisuais. “O projeto ajuda mostrando o trabalho das pessoas de Macapá, a maioria tem talento mas não tem condições de ampliar seus projetos. Então a gente tenta dar esse impulso”, relata Mc Super Shock.


O mais recente trabalho é “O Flow mais Peba” do artista RJ. Além desse, o projeto tem diversas produções incluindo algumas publicações de fragmentos das batalhas. E para quem gosta e acompanha esse projeto, Washington Oliveira afirma que novas parcerias virão ainda em 2019. “As previsões futuras são Rap’s e Mc’s que vão aparecer, não só daqui do Amapá”. Conexões vão rolar no Brasil a fora é só ficar ligado”, esclarece o MC.

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