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Base Nacional Comum Curricular pretende levar qualidade para os estudantes da educação básica

Escolas públicas e particulares do Brasil têm até 2020 para se adequarem a BNCC


Por Tammyres Sousa


A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) consiste em políticas educacionais de aprendizado que todo aluno da educação básica deve ter, não apenas para saber o assunto e realizar uma prova, mas também para se preparar para o futuro e o mercado de trabalho. De acordo com o Ministério de Educação (MEC) em seu documento oficial divulgado no E-book “Base Nacional Comum Curricular - Educação é a base” de 2017, a BNCC é considerada um grande avanço para a educação brasileira.


A BNCC deveria ter sido aprovada em 2016, como prevista no Plano Nacional de Educação (PNE), porém houve atrasos e foi aprovada apenas em 15 de dezembro de 2017, em votação pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), com 20 votos a favor e apenas 3 contra.


Após a aprovação da BNCC, o MEC disponibilizou em seu site, cartilhas digitais explicando todas as modificações e adaptações que a base vai trazer para o novo modelo de educação. Apesar de ser baseado em 10 competências gerais que norteiam todas as áreas e campos de experiência, é adaptado para Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Esta definição nacional busca trazer a equidade e a qualidade do ensino, ao qual todos os estudantes do Brasil serão avaliados pelas mesmas competências, estudarão os mesmos assuntos e terão oportunidades iguais em exames nacionais, não havendo mais a desigualdade entre regiões do país, pois todas estarão no mesmo nível de conhecimento.


Descomplicando a BNCC


Por ser formatada de uma forma bem diferente do que já vem sendo estudada e ensinada há anos, a BNCC deixou muitas pessoas com dúvidas desde que foi definida em 2017. Tendo isso em vista, muitos especialistas e profissionais da educação se dedicaram a estudar a BNCC para depois compartilhar esses conhecimentos de uma forma mais fácil e rápida de entender, usando as mídias digitais e realizando workshops. Uma das pessoas que se destaca na região Norte por este trabalho é a especialista educacional Ângela Guimarães, que desenvolve o projeto “Descomplica BNCC”.

Ângela Guimarães

Apesar de não ser amapaense, ela conta o porquê de iniciar este projeto no estado antes de ampliar para todo o Norte e Nordeste do Brasil: “Eu tenho um amor muito grande por esse estado, respeito e consideração também, quando eu vi que o Amapá ficou no último lugar com o resultado do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) aquilo me incomodou muito, então eu iniciei o workshop presencial por aqui, mas estou fazendo alguns presenciais em outros locais do país que estou sendo convidada para fazer, e sempre vou. Já fui para o Nordeste, já fui para Juazeiro do Norte, tem outras agendas marcadas para Rondônia, Acre, depois Pinheiro, Boa Vista e também pretendo ir em Manaus”, diz a especialista. A agenda frenética de Ângela demonstra o quão importante a BNCC é para a atual conjuntura da educação no Brasil, considerando as disparidades e os baixos índices de educação.


Segundo a pedagoga, a implementação já está atrasada, deveria ter começado desde a aprovação em 2017, assim teriam o tempo necessário para que todas as escolas conseguissem se adequar gradativamente ao novo modelo, evitando assim a mudança brusca que causaria inquietação no corpo docente e discente. Ela afirma ainda que cabe aos docentes a proatividade em querer saber e ir atrás do conhecimento, pois eles serão um dos maiores afetados com a mudança: “A escola não precisa esperar a Secretaria de Estado de Educação chegar para poder pensar em uma forma para fazer o estudo e o conhecimento da BNCC, isso já deveria ter iniciado desde o momento em que ela foi sancionada e infelizmente não aconteceu”.


Segundo a professora Ângela, escolas e especialistas têm até 2020 para reformular Projetos Políticos Pedagógicos e currículos nos padrões baseados na BNCC. “Em 2022 tem que estar totalmente implantada em todos os municípios e estados incluindo escolas públicas, particulares e até a academia porque a formação inicial dos professores será toda revista para poder atender essa nova demanda de ensino que o país traz, então é preciso que coloque rodinha nos pés e comecem a estudar”, diz Ângela.

Jander Coelho

Em contrapartida, o pedagogo e professor de escola pública do estado do Amapá, Jander Coelho acredita que deveriam ser realizados projetos de ensinamentos aos docentes e secretarias de educação para capacitá-los a trabalhar durante esse período de 2017, 2018 e 2019, período de adequação. Ele afirma também que hoje a educação pública do Amapá não tem estrutura para se adequar à BNCC: “A BNCC é algo que foi pensado para a melhoria, mas não foi pensado na questão do repasse da formação, da estrutura, ou seja, quando chegar 2020 o Ministério (da Educação) quer que esteja pronto, mas não foram dadas as condições para que realmente se formasse com qualidade; se planejasse com qualidade e surgissem dali projetos para serem trabalhados de forma adequada. Então tem muita crítica e muita coisa pra crescer, mas a gente torce que dê certo”, diz o professor Jander Coelho


O estudante de pedagogia Cauê Araújo acredita na proposta inovadora da BNCC, mas alerta para as dificuldades que as escolas enfrentarão, principalmente as escolas públicas por conta da falta de estrutura para esse tipo de modificação. Uma das preparações para a implantação da BNCC seria a estrutura física e professores na quantidade exata: “Cada região tem uma realidade diferente, e é com muito zelo para esse ponto de vista que se deve olhar, a exemplo, em alguns estados do Brasil existem escolas que não tem estrutura, nem professores, sendo assim, é necessário haver um olhar diferenciado para que todos caminhem juntos em busca de uma educação melhor” ressalta Cauê.


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