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Alunos da rede pública de Macapá concorrem em feira internacional de engenharia em São Paulo

Atualizado: 14 de Abr de 2019

Estudantes da Escola Estadual José do Patrocínio, no distrito da Fazendinha, participam do evento com projeto de um submarino


Por Brenda Santana


Com supervisão das professoras Vanessa da Costa, do Atendimento Educacional Especializado – AEE, Dayse Maria Queiroz, do Centro de Altas Habilidades e Superdotação – CAAHS, e do Secretário da escola José do Patrocínio, Marlon Thomaz, o projeto de um submarino de operação remota foi selecionado e apresentado na Feira de Ciência e Tecnologia do Estado do Amapá – FECEAP, que ocorreu em setembro de 2018, onde os alunos ganharam credenciais para a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia – FEBRACE, que ocorre em março de 2019 em São Paulo.


Alunos Leonardo e Gerfeson. Foto: Brenda Santana

O projeto de um ROV – Veículo Operado Remotamente – foi desenvolvido pelos alunos Leonardo Melo dos Santos e Gefeson Guilherme Pascoal da Costa, ambos os alunos do terceiro ano do ensino médio da Escola José do Patrocínio, no distrito da Fazendinha. O objetivo do projeto “Mini Submarino” é uma ajuda na identificação de danos em cascos de embarcações. “A princípio o intuito do projeto era apenas identificação de possíveis furos em embarcações, mas com o avanço do projeto, constatamos e adaptamos o submarino para o auxílio de mergulhadores em busca de vítimas de naufrágios”, afirmou Guilherme.


Ao ser perguntado sobre os materiais utilizados na construção do submarino, Leonardo Melo, coautor do projeto, informou que foram utilizadas ferramentas de baixo custo, sendo algumas delas recicláveis. O estudante descreve que no processo de construção, foram usados canos de PVC, pequenos motores de bomba de porão, placas de arduíno e ainda, peças de controles dos próprios videogames, que já não usavam mais. “A maioria de nossos materiais foram reutilizados de equipamentos que já tínhamos, porém alguns motores e placas nós conseguimos através da ajuda de amigos e colaboradores para comprar os equipamentos que faltavam”, completou Leonardo.


Os alunos tiveram aulas de robótica ministradas por professores do CAAHS, e também, acesso a videoaulas em plataformas digitais. Ao ser contatada, a mãe de Leonardo, Lucellia de Melo, expressou a satisfação em ver seu filho empenhado no projeto e conquistando objetivos que jamais pensaria que seriam possíveis através de uma escola pública. “O Leonardo é motivo de orgulho para mim e para o pai dele, pois vejo meu filho empenhado em usar o talento que tem em construções de equipamentos que irão contribuir com muitas pessoas”.


Alunos montando o projeto. Foto: Brenda Santana

A professora Dayse Maria relatou que a maior dificuldade enfrentada foi a ausência de preparo dos alunos em realizar pesquisa bibliográfica e registrar fontes de pesquisa, visando à produção escrita do projeto. Na produção do protótipo, um obstáculo foram as aquisições dos equipamentos mais caros, como motores e sensores. Dayse também afirma que houve muita dificuldade em adquirir outros materiais que não têm disponibilidade em Macapá.


Segundo Leonardo, foi necessário esperar os motores e o chumbo chegarem à cidade para que o submarino pudesse afundar, e também houve dificuldade para transformar as câmaras em equipamentos impermeáveis. Apesar dos vários estudos feitos pelos alunos, eles tiveram somente uma tentativa para executar o projeto.

Além da produção de um artigo - que é a parte escrita do projeto -, Leonardo e Guilherme também fizeram uma espécie de memorial, chamado “Diário de Bordo”, onde eles relatam todo o processo de construção e estudos necessários. “O ‘Diário de Bordo’ foi uma plataforma que usamos para fazer anotações, colocar os cálculos utilizados para a construção do ROV, que é um veículo operado remotamente, e é um dos critérios pedidos para a participação das feiras, pois eles utilizam como avaliação”, contou Guilherme.


Projeto Pré pronto. Foto: Brenda Santana

Perguntado sobre a exposição e quais seriam as dificuldades enfrentadas antes e durante o evento, Leonardo afirmou, “a nossa dificuldade maior é a questão do transporte dos equipamentos, pois são sensíveis”. E completou dizendo: “para essa segunda-feira que estamos indo, as dificuldades são em conseguir passagens e hospedagens, porém estamos aguardando respostas do governo”.


Submarino nos últimos ajustes. Foto: Brenda Santana

Acerca da Exposição, o que mais preocupa, segundo Leonardo, é a apresentação, por serem tímidos. “Porém, não usamos isso como barreira para impedir a demonstração do nosso trabalho”, afirmou o aluno. Os alunos viajaram em março para a FEBRACE, em São Paulo, feira que terá como premiação o fornecimento de credenciais para as Feiras de Ciências que ocorrem nos Estados Unidos, México e outros países.

Os alunos levaram os trabalhos já com modificações e novos objetivos. Será uma oportunidade para demonstrarem o projeto fora do Brasil. Os professores Dayse Maria e Marlon Thomaz acompanharam os rapazes na Exposição.


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