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A luta escolar pelo fim do bullying

Os desafios na educação para combater atos de violência física ou moral em sala de aula e fora dela


Por Renato Conceição


O Bullying, um nome diferente, de origem americana que representa todo ato de violência física ou moral, que se repetem constantemente, podendo ser efetuado por um ou vários indivíduos, de forma presencial ou no meio digital.


Rep. BULLYING. Frente da Escola Estadual Professor José Ribamar Pestana

Os principais casos de Bullying são identificados em ambientes escolares. Na hora do recreio, na sala de aula ou na hora de saída, o que pode ser visto como uma brincadeira entre colegas, para a vítima pode não ter o mesmo sentido, gerando a queda da autoestima, ou até mesmo a depressão e consequentemente o suicídio.


Tamires Neves, 18, estudante da Escola Estadual Professor José Ribamar Pestana, é uma das muitas pessoas que sofreram e sofrem Bullying no ambiente escolar, por sua estatura de 1.80 de altura, sempre foi muito criticada por seus colegas de sala de aula, e até mesmo por alunos de outras turmas.


Tamires conta sobre essa fase: “Eu ficava bastante triste e emocionada, porque eu não me aceitava. As vezes pensava que era realmente diferente, pois as ofensas vinham de todos lados, mas em sua grande maioria eram meninos. Senti medo, insegurança”.


O Bullying cometido por seus colegas se estenderam desde as primeiras séries, até o final do Ensino Fundamental. Emocionada Tamires relembra os fatos:


Educação Bullying - Tamires Neves

“Eu era uma criança, cresci sendo chamada de Olivia Palito, Tábua, ou outros apelidos, mas com a maturidade, percebi que sim, que era igual a todos. Deixei de me importar com as ofensas, e hoje aceito tranquilamente, inclusive gosto o apelido que recebi durante esse período, seca”, relata.


Cursando a última série do Ensino Médio Tamires pretende cursar Letras Pedagogia, para assim se inserir dentro da sala de aula, e trabalhar a temática com os alunos desde as séries iniciais.


O ambiente escolar é sem dúvida a segunda casa dos alunos, e por isso é fundamental que seja democrático, não somente de conteúdo, mas também de vivências, e pensando nisso a coordenadora da Escola Ribamar Pestana, Rosangela Oliveira, 36, desenvolve o projeto de prevenção e combate ao Bullying.


“A escola possuía um grande índice de violência, as brigas eram constantes, então tivemos que intervir de alguma forma, assim partimos em busca das fontes, e nesse levantamento identificamos que o Bullying estava presente em muitos casos”.


A coordenadora destaca ainda que os casos ocorrem devido a falta de acompanhamento dos alunos, e que são vivências que se penduram durante anos. “A prática desse ato se relaciona com a vivência de cada um, seja ela familiar ou de sua comunidade, ou simplesmente pela necessidade de querer um destaque a mais, com o sentimento de prazer, construindo uma falsa imagem boa de si”, argumenta.


O projeto contra o Bullying ocorre através de aulas práticas que envolvem oficinas de teatro, músicas e danças. Cada aluno é incentivado a participar, a conhecer as diferenças de seus colegas e partilhar as experiências de vida. Já os professores servem como mediadores desse projeto, despertando nos alunos o interesse em participar.


A professora Telma Rayol, 50, por muitos anos atuou em escola particular, e conta que o Bullying está presente em todas as escolas: “As pessoas normalmente assemelham o Bullying a escolas públicas, o que é um grande erro, ele está presente em todos os lugares, até mesmo fora da sala de aula.”

“Ele tá em casa, no bairro, na igreja” - Telma Rayol

A professora Telma Rayol explica que há uma diferença do Bullying praticado entre meninos e meninas.


“Normalmente o Bullying entre as meninas são mais sentidos, pois, a mulher em sua natureza tende a ofender-se mais, em sua grande maioria está relacionado a questão estética, de aparência, mas que não chegam a ser exacerbados, ficando somente em olhares tortos, comentários, fofocas e principalmente a exclusão. Já entre os meninos é mais violento, chegando até mesmo a ocorrer agressões físicas.”


De acordo com a psicóloga Karla Gabriela Santos, 25, o bullying pode “ser caracterizado como a prática de atos violentos, sejam eles físicos ou psicológicos, cometidos por um ou mais sujeitos contra outro indivíduo”. Ela diz ainda que os atos ocorrem por meio de “intimidações, ameaças e/ou agressões físicas. São atos repetitivos e contra alguém que geralmente tem dificuldades de se defender”.


No ambiente em que ocorre esse tipo de violência, as pessoas que presenciam, sem intervir, também acabam fazendo parte da agressão. Os projetos desenvolvidos nos ambientes escolares ajudam na redução do índice de bullying, possibilitando um melhor convívio entre os alunos, e consequentemente melhora no desempenho estudantil.

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