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A educação sempre será a nossa melhor arma

Atualizado: 16 de Abr de 2019

Por Vithória Barreto - Editora de Educação da revista Tajá

Em memória a todas as vítimas do massacre da Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, São Paulo.

Crianças participam de abraço coletivo na escola Raul Brasil, em Suzano, SP. Imagem: Julien Pereira

Neste mês, o Brasil inteiro se impressionou e chorou a morte de duas professoras e cinco alunos em um massacre ocorrido na manhã de quarta-feira, 13 de março de 2019, na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na grande São Paulo. Dois homens vestidos de preto, munidos com várias armas sendo um deles um adolescente de 17 anos, invadiram o colégio pela manhã, em horário de aula, e assassinaram sete pessoas, deixaram 16 feridos e em seguida cometeram suicídio.


Uma das vítimas, a professora de filosofia que havia sido promovida há pouco tempo a coordenadora pedagógica, Marilena Umezu, destacava em suas redes sociais que era a favor do porte de livros, pois são as melhores “armas” para salvar o cidadão e a educação. Coincidência ou não, a professora querida por todos na escola Raul Brasil, teve a sua vida destruída justamente por ex-alunos, neste episódio desesperador, triste e horroroso da história deste país.


A bandeira que Marilena levantava é a mesma que milhões de brasileiros que são contra as armas e a violência levantam. Tudo começa pela educação. Em um momento de muitas discussões acerca das medidas de flexibilização do porte de arma prometidas e trabalhadas na campanha do presidente Jair Bolsonaro, tragédias como estas nos fazem refletir sobre a possível mudança no Estatuto do Desarmamento, um dos carros chefes da campanha presidencial de Bolsonaro.


Afinal, precisamos de mais armas? Será que armar o povo brasileiro vai ser algo bom diante dos índices de violência alarmantes que colocam o Brasil no ranking dos países mais violentos do mundo? É preciso entender que há caminhos mais fáceis e corretos de agir, como investir em educação, dar boas condições de trabalho para os professores, bem como melhorar a estrutura das escolas.


Como sabemos, um professor é capaz de mudar o curso das coisas na vida de um aluno, mesmo com poucos recursos. Em meio a tanto descaso, maus tratos, grosserias, falta de respeito e desvalorização na sociedade, o professor sobrevive a cada dia, munindo o seu aluno com o que ele sabe dar de melhor: a educação, o ensino, o aprendizado e sabedoria. Esse texto é sobretudo uma singela homenagem às vítimas do massacre de Suzano, e principalmente às professoras Marilena Umezu e Eliana Xavier, que levaram consigo um pouco da tristeza de todos nós que acreditamos na educação e nos livros como a melhor arma para mudar o mundo.

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