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A aventura humana na Terra tem custado caro

Atualizado: 23 de Mai de 2019

Algumas empresas no mundo inteiro têm inserido em suas culturas a preocupação com o meio ambiente e o futuro da vida na terra.


Por Beatriz Melo

Fralda descartável. Absorvente descartável. Canudo de plástico. Aparentemente, os três objetos citados parecem inofensivos, mas se você parar para pensar, ambos possuem enorme espaço em lixões, rios e mares. Desde a década de 50, o uso de descartáveis entrou em ascensão, mas a humanidade não imaginava as consequências da utilização desenfreada do plástico.


Você já parou para pensar que as fraldas descartáveis que você usou na primeira infância ainda estão nos aterros e/ou lixões a céu aberto? É simples entender como: as fraldas são feitas de plástico e celulose. O plástico simples, derivado do petróleo ou gás natural, pode levar cerca de 200 anos para se decompor. Para os que têm mais dinheiro, as fraldas caras tem plástico reforçado, essas levam até 600 anos para “sumir”. Quanto a celulose retirada das árvores, estima-se que para a produção de fraldas descartáveis, anualmente 1 bilhão de árvores são derrubadas para a indústria de fraldas. No Brasil, são descartadas 204 fraldas por segundo, 20 bilhões são descartadas por ano, gerando mais de 3,5 milhões de toneladas de lixo que levarão mais tempo que você e suas próximas três gerações para se decompor. Ainda não ficou chocado?


Sabe os absorventes descartáveis que você, sua avó, sua mãe ou amiga usam? Estes também vêm preocupando uma parcela da sociedade. A composição dos absorventes assemelha-se com a das fraldas citadas acima, também são compostos de plástico e celulose. Da puberdade até a menopausa, as mulheres no Brasil usam entre 10 a 15 mil absorventes, o que leva o descarte chegar às 12.000 toneladas de absorventes jogados fora por mês. As fraldas femininas ainda não são recicláveis no Brasil, nem podem ser compostadas (reciclagem de lixo orgânico, que transforma-se em húmus).

“O mito da feminilidade”. Foto: Ingra Todaiesky

Saindo do macro, chegamos à saúde feminina. Um absorvente é composto por fragrâncias, corantes e materiais sintéticos. A parte externa, confeccionada de plástico, pode gerar desconforto, alergias e infecções. Não é à toa que o plástico não permite que o tecido respire, potencializando a proliferação de bactérias, elevando os riscos de inflamações.


Os absorventes externos e internos também contam com algumas substâncias altamente tóxicas em sua formação, como a Dioxina e furanos, sintéticos que conservam a matéria orgânica, mas que pode ser agentes ativos para doenças reprodutivas, cânceres e desregulação hormonal. Sem contar as fragrância químicas que dão ao sangue menstrual um odor não característico.


O descarte de resíduos químicos são ameaças ao meio ambiente, pois acabam contaminando o solo dos aterros sanitários. Quando o descarte chega aos rios e mares, os impactos são ainda maiores, podendo comprometer todo o ecossistema aquático, contaminando os seres vivos e as águas.


Não há como questionar o descarte de resíduos, poluição de rios e mares sem evocar ele: o canudo de plástico. No ano de 2018, o canudo tornou-se inimigo mortal do meio ambiente, alguns países desenvolveram leis para desenfrear seu uso, o Brasil é um deles.


Canudos estão longe de ser a maior ameaça para a vida na terra, mas é um grande aliado. Assim como sacolas plásticas e garrafas pet, seu uso único proporciona acúmulo de resíduos sólidos no ecossistema. Sua vida útil, dura apenas dois minutos, mas no meio ambiente, séculos são necessários para sua decomposição. Nos Estados Unidos, o descarte diário dos canudos chega aos 500 milhões.


Os canudinhos já representam 4% de todo o lixo do planeta. Em alguns anos, todos os animais marinhos terão partículas de plástico em seu organismo, e levando em consideração que a maioria dos seres humanos alimentam-se de animais, logo, todos os organismos estarão contaminados.


A natureza está interligada, o que seria de cada um de nós sem água potável, árvores, ar puro, frutas e cereais? Ações individuais interferem no coletivo em proporções inimagináveis, por isso a mudança que o mundo precisa pode começar dentro de casa. O futuro do planeta está em jogo, todos têm cartas na mão. Está na hora de saber jogar!


Empreendedorismo sustentável: o futuro será verde

Medidas sustentáveis, como o próprio nome já diz, consistem em ações ou projetos que priorizem a conservação e sustentação dos recursos naturais. Ou seja, suprir necessidades sem exploração.


O Empreendedorismo Sustentável é um conceito contemporâneo, mas que já vem ganhando espaço no cenário empresarial. O esgotamento de recursos naturais, a qualidade de vida e a preocupação com o consciência ambiental tornaram-se realidade no mundo dos negócios. Aliadas a tecnologia, muitas empresas vêm lançando propostas inovadoras.

Canudinhos de Inox, Égua du Canudo. Foto: Beatriz Melo

Alternativas para desacelerar o uso de plásticos que comprometem a permanência da vida saudável são as maiores apostas do empreendedorismo verde. No Amapá, não seria diferente. Idealizadas, pensadas e geridas por mulheres, a Natural Materna e a Égua du Canudo são empresas em ascensão no mercado local. Ambas possuem propostas de mudar o mundo a partir de novas possibilidades de relacionamento com si mesmo e com a natureza.

Parceiras da Amazônia viva


O dia 15 de setembro de 2018, dia Mundial da Limpeza, foi um marco na trajetória do Égua du Canudo, empresa genuinamente amapaense. Idealizada por Aline Araújo e Manuh Coutinho, noivas e sócias, a loja online de canudos de Inox trouxe ao Amapá novas oportunidades de fazer as pazes com a natureza.


Em apenas uma semana de vendas, a ação realizada pela prefeitura de Macapá, no dia Mundial da Limpeza foi um divisor de águas para o pequeno negócio. Dali saíram parcerias e novas promessas de um mundo melhor.

Aline Araújo, amiga da Amazônia. Foto: Beatriz Melo

A empresa nasceu da coragem das meninas. Aline conta que ao sair da faculdade, muitas percepções mudaram seu olhar sobre o mundo. “Eu já fui vegetariana durante um ano, foi assim que eu virei a louca do meio ambiente (risos), lutar pela causa. Comprei coletor menstrual, calcinha absorvente de pano. Vi que precisava mudar várias coisas, essa foi a mudança maior. Eu passei a me preocupar”.


Em apenas oito meses de existência, o negócio de canudos já tem três postos de vendas em Macapá. A loja comercializa cinco modelos de canudinhos em formatos diferentes, fáceis de higienizar, com longa vida (assemelham-se a um talher). “A minha meta com o Égua du canudo é expandir, fazer que o máximo de pessoas conheçam e o que eu puder fazer para diminuir o uso de canudo ou de qualquer plástico eu vou fazer!”, confessa Aline.


Conforto e responsabilidade para mulheres e crianças

A paraense Priscylla Resque, aos 37 anos toca sua loja virtual há 4 anos, a Natural Materna. Depois da sua segunda gravidez, a pedagoga foi apresentada para um mundo de possibilidades, onde o conforto era a alma do negócio.


Começou pelos slings, amarrações em pano para que cuidadores carreguem crianças pequenas com segurança e flexibilidade. Logo depois chegaram as fraldas de pano, “amigas” de longa data de Priscylla, que em sua primeira gestação havia sido aconselhada sobre o uso da “calça enxuta” (antecessor da fralda de pano moderna) por sua mãe.

Pri Resque, empreendedora, mãe, Amazônida. Foto: Beatriz Melo

“A minha mãe sempre colocava essa ideia de calça enxuta na minha cabeça. Eu não sei dizer se a preocupação dela era com o meio ambiente, mas tenho certeza que era com a saúde da minha primeira filha. E também, pela questão dos produtos químicos que as fraldas têm, que causam dermatite, brotoeja”, conta Priscylla.


Em sua segunda gestação, alternativas como as fraldas reutilizáveis modernas tornaram-se acessíveis para a empreendedora, que logo começou a comercializar para outras mães, também abertas às possibilidades para as crianças e para o mundo.


Os absorventes reutilizáveis surgiram na vida de Priscylla pelo princípio do conforto. Testou, gostou e partiu para a revenda! Não demorou muito para a Natural Materna tornar-se símbolo de sustentabilidade em Macapá, possibilitando ao público local feminino e infantil uma relação mais limpa com o meio ambiente.

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